Archive for dezembro 6th, 2021

Debate na Assembleia do RN chama atenção para a saúde mental dos policiais

Crédito da Foto: João Gilberto

A Assembleia Legislativa do RN debateu, na tarde desta segunda-feira (6), a saúde emocional dos profissionais de segurança. A audiência pública, proposta pelo deputado estadual Subtenente Eliabe (SDD), reuniu membros do corpo clínico da Polícia Militar do RN, especialistas do Centro Integrado de Apoio Social ao Policial (Ciasp/Sesed), além de representantes das associações e sindicatos de policiais militares, civis e penais. 

De acordo com dados destacados pelo deputado Subtenente Eliabe, 365 policiais militares foram afastados dos serviços em razão de problemas psicológicos e psiquiátricos até junho de 2021. “O que nos dá uma média de dois por dia. É uma situação que precisa de intervenção e essa audiência tem o objetivo de expor a problemática e contribuir para que possamos minimizar essa situação tão grave”, frisou. 

Outro dado que chama a atenção foi apresentado pelo major Ladislau de Assunção, membro da junta médica da PMRN. Segundo sua fala, a psiquiatria é a área da saúde que mais afasta os policiais do trabalho. “Temos uma média de 30 novas entradas por mês. Quando colocamos esses dados em percentual, é de 40% a 45%, a primeira causa de afastamento do trabalho. A segunda é ortopedia, com 35%”, revelou. 

Atuando há 10 anos na PMRN, o sargento Alexandre Bosco da Silva Oliveira, que é psicólogo e psicanalista e integra o Centro de Atenção Básica à Saúde da PM (CABS), destacou a natureza da atividade policial como “exigente, perigosa com risco de lesões e morte, cansativa, de muita responsabilidade e grande poder de frustração”, o que, segundo ele, “é autoexplicativa para justificar o adoecimento mental da tropa, que junta a questões pessoais do dia a dia, fazendo com que ele venha a baixar”. 

O sargento disse que seria necessário pelo menos 10 psicólogos para dar conta da atual demanda da corporação. Atualmente existe uma lista de 20 militares da ativa aguardando vaga para dar continuidade a terapia”, contabilizou. 

A ausência de um profissional de psiquiatria na corporação foi questionada pelo presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM, sargento Roberto Campos. “Nunca houve concurso para a área de saúde suplementar. Reconheço o esforço sobrenatural para dar atendimento mínimo a um policial que está sofrendo. Na PM existe um quadro médico de excelente qualidade, mas a polícia não tem psiquiatra”, apontou. O representante dos cabos e soldados confirmou que recebe muitos questionamentos sobre saúde mental. 

Falando em nome da Associação de Praças de Mossoró e região, o sargento Juscelino Batalha, questionou a falta de representação da junta médica da corporação no interior do estado. “É inconcebível que um PM tenha que vir à capital para homologar o seu atestado. Porque a Polícia Militar não resolve essa situação? Não queremos luxo, queremos condições dignas de trabalho”, disse. 

Presidente da Associação dos subtenentes e sargentos, policiais militares e bombeiros militares do RN, a subtenente Márcia questionou a distribuição de vagas para o próximo concurso da saúde da PM. “São muitas vagas para dentista. O Ministério Público intervém em tantos aspectos, poderia intervir nesse”, pontuou. A subtenente também citou a abertura de batalhões sem atenção especial para o policial que vai atuar naquela área e pediu atenção especial para o Ciasp (Centro Integrado de Apoio aos Profissionais de Segurança Pública). “É preciso ver essa questão com mais carinho, para que efetivamente funcione”, disse. 

A psicóloga do Ciasp, Suely Ferreira, disse que o centro atua com três psicólogos e conta “com demanda muita alta”. Em sua fala, destacou as dificuldades de executar o trabalho devido a falta de estrutura, mas anunciou parceria com a Universidade Potiguar que deverá permitir, em breve, a disponibilização de estudantes de psicologia, nutrição e fisioterapia para reforçar a estrutura do Centro Integrado de Apoio aos Profissionais de Segurança Pública. 

O sargento Artur Raimundo, que integra a reserva remunerada da Polícia Militar do RN, pede tratamento mais respeitoso em relação aos policiais que, assim como ele, contribuíram com a corporação. “É o mínimo que pode ser feito”, disse. Os psicólogos Cabo Vilani e Adriana Carla Botelho também colaboraram com o debate. 

Encaminhamentos 

Encerrando a audiência pública, o deputado estadual Subtenente Eliabe Marques apresentou uma série de encaminhamentos a fim de contribuir com alternativas para minimizar os problemas que envolvem a saúde mental dos profissionais de saúde pública do RN. Entre eles, a apresentação de requerimento solicitando celeridade no concurso da PM bem como a questão de redistribuição de vagas na área de saúde; requerimento ao Comando da Polícia Militar para descentralização da junta médica da polícia, assim como o uso de uma plataforma remota para minimizar o problema dos policiais que atuam no interior do estado; requerimento com solicitação de fortalecimento da atuação do Ciasp através de reestruturação e apresentação de projeto de lei para instituir a Semana de Saúde mental dos profissionais de saúde pública do RN. “Para dar andamento a essa problemática tão importante para a categoria e toda a sociedade”, finalizou.

Saiba quais são as oportunidades e os desafios para o agro em 2022

Por Kellen Severo05/12/2021 10h00 / Jovem Pan

A safra futura de soja 2022/2023 tende a ser a mais cara da história / Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo – 27/11/2021

A conjuntura econômica que se desenha para o novo ano deve levar a um aperto da margem de lucro no setor agropecuário a partir de 2022. Essa é a conclusão de especialistas ouvidos pelo Painel Hora H do Agro deste domingo, 5. O nervosismo tomou conta dos mercados globais ao longo das últimas semanas, após o surgimento da nova variante do coronavírus, denominada Ômicron. Ao redor do mundo, governos buscam entender a intensidade da nova cepa do vírus. Enquanto isso, agentes financeiros reagem incertos em relação aos efeitos na economia global, que já trazia sinais de recuperação.

Para o economista sênior do Itaú BBA, Pedro Renault, há três pontos da Ômicron que precisam ser analisados neste momento: transmissibilidade, severidade e capacidade de resistência a vacinas. “Há indícios, principalmente no sul da África, onde tudo começou, de que ela leva com menos frequência a casos graves”, destacou. Se esse ponto vier a ser ratificado por órgãos de saúde internacionais, o economista acredita que estaremos caminhando de uma pandemia, onde o vírus alcança o mundo todo, para uma endemia, quando a doença é recorrente na região, mas não há um aumento significativo no número de casos. Assim, os efeitos na economia são também de “muito menos disrupção do que a gente viu lá atrás [no início da pandemia]”. “Não parece ser sinal de fim do mundo, pelo menos, por enquanto”, disse.

Mercado agrícola

De imediato, o mercado agrícola também reagiu exasperado aos primeiros sinais de incerteza em relação à variante Ômicron no mundo. “O que a gente viu foi uma derrocada das commodities de uma forma generalizada, desde o petróleo até sojamilhocaféaçúcaralgodão”, destacou Carlo Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio. No entanto, para o analista de mercado, a preocupação neste momento é com qualquer lockdown que possa vir a ser estabelecido em países da EuropaÁsia ou outro continente. A medida levaria ao fechamento de portos e à limitação de circulação, gerando um prolongamento e agravando a situação das indústrias de fertilizantes. “Esse processo poderá gerar compra de ações para os próximos plantios aqui no Brasil, ordem de milho segunda safra, café, cana e depois, mais adiante, safra de grãos 22/23”, pontuou.

Dólar

Até a última semana de novembro, o boletim Focus do Banco Central projetava a taxa de câmbio do dólar a R$ 5,50 para o fim deste ano e também em 2022, estimativa acompanhada pelo Itaú BBA. Porém, Renault ressalta que falar desse patamar seria equivalente a acreditar em um cenário de estabilidade, diferentemente do ambiente global menos favorável que se enxerga no curto prazo. Espera-se que a volatilidade da moeda norte-americana frente ao real esteja atrelada, no próximo ano, às eleições presidenciais no Brasil e à alta de juros nos Estados Unidos — item que já foi sinalizado pelo Federal Reserve, Banco Central norte-americano. “O juro sai de zero para patamares, como nos caso dos EUA, de 0,75% ao final de 2022. Isso vai causando uma pressão global que é o quê? Dólar para cima”, afirmou o economista sênior do Itaú BBA. Outro ponto de monitoramento são os juros subindo por aqui também, já encerrando 2020 “perto de 10%”. “Nós projetamos, em março, juro em 11,75%. Isso significa um fator que compensa boa parte dessa pressão global”, completou.

Custo de produção e margem de lucro 

O agricultor brasileiro passa por um cenário de estreitamento das margens de lucro. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a relação de troca do produtor de soja, por exemplo, está em um dos piores patamares dos últimos anos. “A gente está vendo um aumento de custo na ordem de 200%, 300%, 400% a depender do insumo. É um momento preocupante”, disse Maciel Silva, coordenador de produção agrícola da CNA. Segundo o especialista, a safra futura 2022/2023 tende a ser a mais cara da história — e de difícil gestão. O aperto na rentabilidade de quem produz alimento já tende a ser visto na segunda safra de milho desta temporada “para aqueles que não compraram insumos”. Dados da Cogo Inteligência em agronegócio, mostram que o produtor se depara com a pior relação de troca dos últimos 12 anos. “É o nível mais alto de custo de insumos desde 2008”, pontuou o sócio-diretor da consultoria. Diante desse quadro, o desafio do agricultor “não vai ser preço, vai ser olhar o seu poder de compra”.

Logística

No âmbito da logística, há fatores externos e internos para o setor acompanhar. O quadro de falta de contêineres para transportar os produtos de exportação e a alta do frete marítimo são pontos que exigem monitoramento. Além disso, as ações preventivas adotadas por países após o surgimento da variante Ômicron também são acompanhadas. Até o momento, nenhum porto foi fechado, mas quaisquer restrições impostas devem ser acompanhadas. Para o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, as condições atuais não devem ser um problema no momento. “O Brasil tem um conhecimento já adquirido dessa questão da pandemia. Acho que nós já aprendemos um pouco da lição de como trabalhar nesses casos”, disse.

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Internamente, há a expectativa de aprovação do projeto de lei conhecido como BR do Mar, que trata do transporte de cabotagem, ou seja, entre portos da costa do país. A medida visa reduzir o chamado custo Brasil e avançar com a logística interna. “Sem dúvida alguma, a BR do Mar vai vir a contribuir para que nós possamos, por exemplo, levar arroz do Rio Grande do Sul para o Nordeste a um custo menor”, explicou Vaz. Outro tema em discussão no país são as autorizações ferroviárias para o aumento da concorrência interna e potencial barateamento do frete. Atualmente, a maior parte da safra brasileira (65%) é transportada por rodovias. Como há carência de pavimentação em diversos trechos das principais rodovias, há 60 anos o Brasil atua no sistema de concessões, onde o Estado transfere para a iniciativa privada a autorização para operar esses trechos.

Agora, o que tem se pretendido é um sistema semelhante, mas para as ferrovias. Para isso, busca-se a aprovação do PL 3754, do Senado Federal, que estabelece a Lei das Ferrovias. A medida abrirá a possibilidade de empresários adquirirem autorização, individual ou em grupo, para cuidar de um determinado trecho ferroviário. “Nós entendemos que com isso vai haver uma maior disponibilidade de ferrovias, do transporte ferroviário e com isso, vamos ter uma redução de custos, porque haverá concorrência”. O projeto aguarda indicação de relator no Senado para avançar. No Hora H do Agro, os especialistas também analisaram a demanda da China diante dos sinais de desaceleração da economia do país, o ciclo de preço das commodities e indicaram as oportunidades do setor no novo ano.

Protesto contra passaporte da vacina termina com 6 feridos e 20 presos na Bélgica

Mais de 8 mil pessoas foram às ruas de Bruxelas / EFE/EPA/OLIVIER HOSLET

Seis pessoas ficaram feridas e 20 foram presas durante um protesto contra as medidas do governo para combate a Covid-19 em Bruxelas, na Bélgica. A manifestação, que reuniu cerca de 8 mil pessoas, foi pacífica até perto do encerramento. No entanto, um grupo atirou projéteis e fogos de artifício contra a polícia. As forças de segurança responderam com o uso de canhões de água e bombas gás lacrimogêneo. Entre os feridos estão quatro manifestantes e dois policiais, que foram levados ao hospital. Os participantes do ato carregavam cartazes  em defesa das “liberdades” e contra a “ditadura da estigmatização” dos não vacinados.

O protesto foi cercado por forças policiais depois que uma marcha semelhante, mas maior, com 35 mil pessoas, terminou com mais de 40 detidos, três feridos e vandalismo há 15 dias. Os participantes da marcha consideram discriminatório o passaporte da vacina, exigido na Bélgica para acesso a bares, restaurantes e alguns eventos de lazer. Os manifestantes também são contra a obrigatoriedade da vacinação, medida que pode ser aplicada para os funcionários da área da saúde a partir de janeiro de 2022.

*Com informações da EFE / Jovem Pan

‘Fui caindo e me despedindo da minha família’, diz sobrevivente no 5º dia do julgamento da Boate Kiss

Sobrevivente mostrou queimaduras nas costas que foram causadas pela tragédia; ele foi salvo da morte pelo irmão, que o levou para fora / Juliano Verardi / Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul

O julgamento de quatro réus acusados pela tragédia da Boate Kiss, que vitimou 242 pessoas em janeiro de 2013, chegou ao seu quinto dia neste domingo, 5. Foi ouvido o sobrevivente Delvani Brondani Rosso, de 29 anos, que sofreu grandes queimaduras e foi convocado como testemunha da acusação. Segundo Rosso, ele foi à boate porque a casa noturna que iria inicialmente estava fechada. “Estava muito lotada a boate. Quando nós entramos, tinha muita gente”, contou. Quando o incêndio começou, ele disse ter tentado sair ao lado de amigos as luzes da boate se apagaram. Até o momento, foram ouvidos dez sobreviventes no tribunal do júri presidido pelo juiz Orlando Faccini Neto, além de quatro testemunhas e dois informantes.

“A situação ficou incontrolável, sem controle. Tu era empurrado para onde a massa ia e eu só tentava ir reto. Quando ficou tudo escuro, as pessoas gritavam mais ainda e eu escutava barulho de vidro quebrando. Desespero, sabe? Em lembro que segui caminhando o que eu podia e começou a ficar mais intensa a fumaça. Tinha muita gente na minha frente ainda. Chegou uma hora que eu percebi que não ia conseguir sair. Quando eu fui caindo, eu fui me despedindo… da minha família, dos meus amigos. Pedi perdão por alguma coisa que eu tivesse feito. Senti meu corpo queimar, fui caindo e desmaiei”, contou o jovem, que, no entanto, foi retirado da casa noturna pelo irmão, Jovani, que havia conseguido sair e depois voltou para dentro, puxando algumas pessoas para fora. Rossi ainda mostrou as queimaduras nas costas que sofreu.

Ele perdeu três amigos no incêndio. Antes, no período da manhã, foi ouvido Thiago Mutti, engenheiro civil que atuou na reforma da Kiss em 2009, incluído no processo pela defesa do réu Mauro Hoffmann. O sócio da Santo Entretenimento, sociedade limitada de danceteria, bar e similares que originou a boate Kiss, foi convertido a informante por responder a um processo por falsidade ideológica relacionado à casa noturna. Já à noite, foi ouvida a segurança da boate Doralina Peres.

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