Archive for janeiro 16th, 2022

Grande Natal tem crescimento de 35,6% em furtos durante 2021

Imagem: reprodução

O número de crimes contra o patrimônio voltou a crescer em 2021 na Região Metropolitana de Natal após dois anos seguidos de queda. Os dados, da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed/RN), apontam que, no ano passado, os furtos (tipificação criminal que teve maior aumento) a residências e estabelecimentos comerciais na região cresceram 35,6%, no comparativo entre 2020 e 2021. Se comparados os anos de 2019 e 2021, a alta foi de 22,3%.

Além disso, os dados da Coine se referem a crimes como roubos e arrombamentos a residências e estabelecimentos comerciais e trazem um recorte dos anos de 2018, 2019, 2020 e 2021. Em relação a furtos, segundo a Coordenadoria, os registros de 2018 apontam para 434 ocorrências; em 2019, foram 438; em 2020, a Coine indica 395 furtos; e em 2021, os números, que haviam sofrido redução no ano anterior, voltaram a apresentar alta: 536.

No caso dos crimes de arrombamentos, os aumentos na Região Metropolitana foram de 20,6% (se comparados os anos de 2020 e 2021) e de 11,5% (se comparados 2019 e 2021). Em números absolutos, foram registrados 505 arrombamentos em 2018; 398 em 2019; 368 em 2020 e, em 2021, após dois anos de queda, os números contabilizaram 444 ocorrências. Natal lidera o ranking de todos os registros. No ano passado, foram 324 crimes de arrombamentos a residências e prédios comerciais na capital, aumento de 17,8% em relação a 2020 (com 275 ocorrências) e de 14,08% se comparado a 2019 (com 284 registros).

O que diz a polícia

A Polícia Civil informou que, os casos de furtos mediante arrombamento, ocorrem, na maioria das vezes, em estabelecimentos comerciais, à noite, quando a ocupação nesses locais e a vigilância noturna dos próprios donos diminuem. A corporação explicou que são práticas executadas, geralmente, por pessoas em situação de rua ou dependentes químicos. “São pessoas que revendem os produtos dos crimes para receptadores em troca de dinheiro para a compra de drogas”, disse o delegado de Polícia Civil, Renê Lopes.

Para os casos de roubo (ações que fazem uso da força e de armas), segundo o delegado, o perfil é de “criminosos contumazes, muitas vezes ligados a alguma facção criminosa e que praticam esse tipo de ação para sustentar um determinado padrão de vida ou que possuem dívida de tráfico de drogas e enveredam para o roubo a fim de obter recursos para quitá-las”.

NúmerosArrombamentos em residências e estabelecimentos comerciais na Grande Natal

2018: 505

2019: 398

2020: 368

2021: 444

Roubos em residências e estabelecimentos comerciais na Grande Natal

2018: 1.347

2019: 1.181

2020: 1.187

2021: 1.220

Furtos em residências e estabelecimentos comerciais na Grande Natal

2018: 434

2019: 438

2020: 395

2021: 536

Fonte: Coine/SesedTribuna do Norte / BG

Com aumento da Ômicron, é seguro mandar crianças para a escola antes da vacina? Fiocruz responde que SIM

Crianças acima de 2 anos devem usar máscaras na escola, recomenda Academia  Americana de Pediatria - Revista Crescer | Saúde
Criança na escola pós-pandemia (Foto: esccola)

As primeiras doses pediátricas da vacina da Pfizer contra Covid-19 chegaram ao Brasil na última quinta-feira, 13. Com a distribuição dos lotes para os Estados, crianças de 5 a 11 anos começaram a ser imunizadas nesta sexta-feira, 14. Menores com comorbidades e deficiências graves, indígenas e quilombolas receberão as doses primeiro; na sequência, a vacinação ocorrerá de forma decrescente, ou seja, dos mais velhos para os mais novos.

A estimativa é de que a imunização da população infantil dure de três semanas a um mês, com crianças sendo vacinadas ainda na semana de volta às aulas. Com o aumento de casos da doença em decorrência da variante Ômicron, surge a dúvida: é seguro mandar meu filho para a escola mesmo sem ele ter sido vacinado?

Para Marcio Nehab, pediatra e infectologista pediátrico do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), responde que sim: “Lugar de criança é na escola. A gente tem que pensar assim: se a criança não está na escola, onde é que ela está? Se não está na escola, ela vai ficar presa em casa? Se ela estiver em casa, presa, é completamente absurdo. O lugar de criança é na escola sempre. A escola é o lugar mais protegido para as crianças, sempre foi e sempre vai ser”, afirma Nehab.

O médico lembrou que os últimos dois anos de pandemia mostraram que a falta de aulas presenciais não afeta apenas o aprendizado, mas também causa efeitos indiretos na saúde tanto física quanto mental das crianças. Obesidade, ansiedade e depressão foram alguns dos efeitos observados durante esse período na população pediátrica. “A pandemia causou estragos permanentes e sequelas a longo prazo em ‘zilhões’ de crianças por todo o mundo. Tem trabalhos da Unicef mostrando, inclusive, redução de expectativa de vida. Os efeitos indiretos da pandemia na população pediátrica são gigantescos e permanentes”, considera o infectologista.

Assim como Nehab, a infectologista do Grupo Pardini Melissa Valentini relembra os danos causados pela falta de aulas presenciais nesses quase dois anos de pandemia no Brasil, mas ressalta que a decisão de enviar os filhos às instituições de ensino neste contexto cabe aos pais e responsáveis. “Eu acho que cada família tem que avaliar sua estrutura familiar e como que ela dá conta dessa questão. Segurança de 100% nós não temos, mesmo com vacinados. O que tem que ser visto é que as crianças já ficaram quase um ano e meio sem escola. Muitas passaram a ter vários problemas, inclusive psicológicos, associados a essa falta de convívio escolar.” Segundo a médica, fatores como se todos os membros da família estarem vacinados e se há alguém com comorbidade no núcleo familiar devem ser observados. No caso de crianças com comorbidade, os casos devem ser analisados individualmente por um profissional.

A infectologista aponta que surtos de algumas doenças são comuns em instituições de ensino desde sempre. “Vai ter surto nas escolas? Possivelmente sim, como a gente sempre tem. Às vezes você tem surto de sarampo, por exemplo. Isso já faz parte do universo da educação infantil”, diz Melissa. Ambos os especialistas ouvidos pela Jovem Pan defendem que o caminho para evitar a disseminação da Covid-19 e de outras doenças como a gripe já é conhecido: vacinação, uso de máscaras, higiene das mãos, escolha por ambientes ventilados e distanciamento. “Embora a maioria das crianças tenha a forma genérica ou moderada da doenças, muitas foram a óbito pela Covid-19 no Brasil. Desde o início da pandemia, morreram mais de 2.700 crianças em consequência da Covid-19. Foram mais de 35 mil internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave no Brasil. Se no Sistema Único de Saúde existem poucos leitos de CTI para adultos, tem menos ainda para crianças. A melhor forma que temos de proteger as crianças é vacinando”, alega o médico do IFF/Fiocruz.

A infectologista do Grupo Pardini também reforça a importância de completar o esquema vacinal primário com duas doses. “O que a gente sabe da variante Ômicron é que uma dose não é suficiente para imunizar. As crianças só estarão protegidas com as duas doses”, afirma. Marcio Nehab ainda argumenta que enquanto o público infantil não estiver totalmente imunizado, a melhor maneira de protegê-lo é vacinando adultos. “A maneira mais adequada de se proteger crianças é vacinado adultos. Ou seja, se você tem uma população que está vacinada em volta daquela criança não vacinada, a chance dela se infectar é menor. Isso as protege indiretamente.” Para tranquilizar os pais para a volta às aulas, o pediatra lembra que todos os profissionais da educação receberam pelo menos três doses da vacina contra a Covid-19.

Quais cuidados devemos tomar ao enviar as crianças às escolas? Como elas devem ser orientadas?

Para além da vacinação, os outros cuidados devem ser mantidos. A comunicação entre responsáveis e colégio serão essenciais para evitar o surto. “O principal é que se a criança está doente, isso tem que ser imediatamente comunicado à escola”, diz Melissa sobre a necessidade de se fazer um mapeamento dos casos. O pequenos também não devem ser enviados para as instituições de ensino caso tenham algum sintoma gripal ou contato com positivo. “É importante que os pais que não mandem seus filhos doentes para escola de forma alguma, porque a gente sabe que essa cepa Ômicron tem um alto poder de transmissão e pode se comportar como um viral comum. O ideal é que você não mande seu filho para a escola se tem alguém doente em casa, pois pode ser, no mínimo, um caso suspeito”, orienta Nehab.

Os especialistas também reforçam a importância do uso correto de máscaras. “É muito difícil você obrigar uma criança menor de 5 anos ao utilizar máscaras, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza que as máscaras sejam utilizadas em crianças acima de 2 anos. É recomendado que máscaras sejam trocadas toda vez que ficarem sujas ou molhadas. As máscaras devem ser utilizadas de forma bem acoplada”, explica o pediatra do IFF/Fiocruz.

De acordo com ele, apesar de quanto melhor a máscara, menor a transmissão, é preciso de atentar se o modelo está bem ajustado ao rosto dos pequenos. “Não adianta nada você usar uma máscara do tipo PFF2 em uma criança se ela não veda direito a cara da criança. Também não adianta usar uma máscara de adulto em um rosto pequeno. É claro que as máscaras que a gente utiliza em hospital são obviamente muito melhores do que as máscaras cirúrgicas, que são melhores que as de pano. Isso é regra, mas o importante é que a criança use a máscara que ela conseguir usar de forma bem vedada”, defende. “Criança é isso, a gente tem que orientar. Orientar a higienizar a mão com álcool, a não trocar a comida com o colega e que o lanche deve ser feito preferencialmente em locais abertos”, finaliza Melissa.

Jovem Pan