Carro autônomo: veja 10 questões para entender a tecnologia

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G1 – O acidente fatal com um automóvel da Tesla equipado com uma espécie de “piloto automático” limitado, nos Estados Unidos, levantou questões sobre a tecnologia dos carros autônomos. Existe uma “corrida” entre as empresas para ser a primeira a lançar um veículo que ande sozinho, mas, além dos desafios científicos, há diversos entraves para isso virar realidade.

1) O que é um carro autônomo?
É o carro que dirige sozinho, usando computadores que interpretam dados enviados por radares e sensores para detectar o trânsito ao redor, obstáculos na via e determinar o caminho a ser seguido, a velocidade, etc.

A ideia é que, quando essa tecnologia puder ser aplicada de forma completa, o motorista seja um ocupante do carro, podendo aproveitar o tempo do trajeto para fazer outras coisas, como trabalhar ou relaxar, sem se preocupar com a estrada.

2) O carro acidentado da Tesla era autônomo?
Não totalmente. O Tesla Model S tem um sistema que é semiautônomo, ou seja, é um “piloto automático” limitado. Quando está acionado, o carro dirige sozinho dentro de certos limites e sob determinadas regras, como o motorista ter de manter as mãos no volante, para mostrar que poderá reassumir o controle do carro a qualquer momento.

3) Já tem carro autônomo à venda?
Ainda não existe um carro totalmente autônomo, mas diversas montadoras estão testando essa tecnologia. Ela tem sido aplicada parcialmente nos carros à venda, em sistemas como assistente de estacionamento (que manobra o carro), frenagem automática, entre outras (veja lista ao fim da reportagem).

4) Quando os carros autônomos serão comuns?
Diversas montadoras dizem que poderão lançar veículos totalmente autônomos já na próxima década. A BMW, por exemplo, afirmou que terá produção em série daqui a 5 anos, em 2021. Porém, a venda desses veículos não depende só da tecnologia, mas de leis que autorizem e determinem regras para o sistema, além de preparação de infraestrutura para as cidades conviverem com os carros autônomos.

5) Carro autônomo é mais seguro?
As montadoras e empresas de tecnologia dizem que o objetivo do carro autônomo é este. Elas defendem que o sistema evitará acidentes.

A Volvo, por exemplo, conta com esse tipo de veículo para alcançar uma meta de zero mortes em seus veículos até 2020.

Porém, os testes apontam que ainda há falhas no sistema. O carro usado pelo Google, por exemplo, se envolveu em acidentes nos EUA que a empresa diz terem sido provocados por motoristas distraídos de outros veículos. Mas, em fevereiro passado, o veículo autônomo teria causado uma batida pela primeira vez, em um ônibus.

Segundo os registros do acidente, o computador não julgou corretamente o que o ônibus faria e atingiu a lateral do veículo que contornava obstáculos na pista. Ninguém se machucou.

O acidente do Tesla Model S, que não é um carro totalmente autônomo, é considerado o primeiro em um veículo com esse tipo de tecnologia, ainda que limitada. O caso ainda é investigado, mas a fabricante acredita que os sensores não detectaram o caminhão que cruzou subitamente a pista à frente do carro, que se chocou com o veículo. Não há conclusão, no entanto, sobre o acidente poderia ter sido evitado.

6) O carro autônomo é permitido por lei?
Alguns países, como os EUA, o Japão e a Suécia permitem testes com carros autônomos em ruas e estradas, desde que haja uma pessoa dentro do carro que possa assumir o controle se necessário. O Google tem pressionado o governo americano para que libere testes sem a presença de pessoas no carro.

Como a tecnologia ainda está em testes, não há definições sobre a venda desses carros e quais seriam as regras para eles rodarem.

7) Quem vai ser o primeiro a lançar?
Algumas companhias falam em lançar o primeiro carro totalmente autônomo na próxima década, mas não é possível prever quem será a primeira.

Praticamente todas as grandes montadoras têm projetos sobre carros autônomos. Empresas de tecnologia, como o Google, também entraram nessa “corrida”.

Em certos casos, os dois setores estão trabalhando juntas, como na parceria da BMW com a Intel e a Mobileye, especialista em sistemas que ajudam o motorista.

8) O Brasil vai ter carro autônomo?
Os projetos das fabricantes de carros estão concentrados nos EUA, na Europa e no Japão, mas algumas universidades testam esse tipo de sistema de forma independente, sem ligação com montadoras. No ano passado, o G1 levou uma dona de casa e um estudante para dar uma voltinha no carro autônomo da Universidade de São Paulo.

Por ora, nenhuma empresa revelou quais são seus planos de venda. Além da questão legal, o custo da tecnologia logo após o lançamento pode ser um entrave para a chegada desses carros ao país: pelo menos no começo, um carro autônomo deve ser caro.

9) Existe caminhão, ônibus e moto com essa tecnologia?
A Mercedes-Benz testa um caminhão autônomo: em outubro passado, ele rodou em uma estrada pública pela primeira vez, na Alemanha, atingindo até 80 km/h.

A Yamaha também testa uma “moto-robô”, que deverá “desafiar”, no ano que vem, o piloto Valentino Rossi, para ver quem é mais rápido na pista. Mas a fabricante diz que pretende aproveitar a tecnologia não só para motos.

10) A indústria acha que, no futuro, ninguém vai dirigir?
Não. As empresas acreditam que a tecnologia será uma alternativa para os motoristas num caso de trânsito pesado, por exemplo.

Para o brasileiro Carlos Ghosn, que comanda a Renault/Nissan, há diferença entre carro sem motorista e o autônomo: o primeiro será de uso comercial, pelo Google e o Uber, por exemplo. O objetivo da montadora japonesa com autonomia, explica ele, é dar opção ao motorista de deixar o volante quando quiser: “É fazer a vida dele mais fácil. Ele escolhe se dirige (naquele momento) ou não.”

Veja o que o carro já faz (Foto: G1)