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Obama passeia com a família em Havana

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, encerrou o primeiro dia de visita a Cuba com um passeio e um jantar com a família em Havana Velha. Ele foi saudado por cubanos que, apesar da chuva, saíram às ruas para acompanhar sua passagem.

Há várias semanas não chovia com tanta intensidade em Havana, mas isso não impediu muitos cubanos de ir às ruas da área histórica da cidade para dar as boas-vindas ao presidente norte-americano, o primeiro a visitar a ilha em quase 90 anos.

Devido ao mau tempo, o encontro com o corpo diplomático norte-americano em Cuba não ocorreu na embaixada dos Estados Unidos, ao ar livre, como estava previsto, mas em um hotel.

Teve também de ser modificado o passeio planejado em Havana Velha. Ainda assim, Obama, sua mulher Michelle, as duas filhas, Malia e Sasha, e a sogra, Marian Robinson, passearam pela Praça de Armas, onde a família pôde ver a estátua de Carlos Manuel de Céspedes, um dos líderes da independência da ilha.

Todo o percurso, que continuou pelo Palácio dos Capitães Generais, o edifício do antigo governo colonial que agora abriga o Museu da Cidade, foi conduzido por Eusebio Leal, o historiador oficial de Havana e responsável pela restauração dessa região da capital.

Debaixo de chuva intensa e protegida por guarda-chuvas, a família presidencial chegou à Praça da Catedral, onde Obama cumprimentou algumas pessoas que o esperavam. Dentro da catedral eles tiveram encontro com o cardeal cubano e arcebispo de Havana, Jaime Ortega.

Depois, a comitiva presidencial passou pelas estreitas ruas de Havana Velha e do centro da capital, onde centenas de moradores tiraram fotos das varandas e portas, saudando a família.

O dia terminou no restaurante San Cristóbal, no centro de Havana.

Hoje, Obama deverá encontrar-se com Raúl Castro no palácio presidencial, o terceiro encontro entre os dois desde que foi anunciada a reaproximação entre os países.

Di Caprio recebe prêmio de melhor ator e Spotlight é escolhido melhor filme

Leonardo Di Caprio recebe o prêmio de melhor ator no Oscar 2016Agência Lusa
Leonardo Di Caprio recebe o prêmio de melhor ator no Oscar 2016

Agência Brasil – As atenções se voltaram nesse domingo (28), na cerimônia de entrega do Oscar, realizada no Teatro Dolby, em Los Angeles, nos Estados Unidos, para o prêmio de melhor ator, que finalmente fez justiça a Leonardo Di Caprio, após quatro indicações frustradas. O ator foi laureado por seu trabalho em O Regresso, em que incorpora o explorador vingativo Hugh Glass.

O filme brasileiro O Menino e o Mundo, do diretor Alê Abreu, perdeu, na categoria animação, para Divertida mente, produzido pela Pixar Animation Studios e dirigido por Pete Docter.

A entrega do Oscar aos melhores atores, técnicos e filmes de 2015 foi transmitida para todo o mundo, ao vivo, pela emissora de televisão norte-americana ABC.

Ao receber a premiação, Di Caprio deu um tom ambientalista ao seu discurso. “A mudança climática é real. Isso está acontecendo agora. Esta é a ameaça mais urgente para toda a nossa espécie”, disse. “Precisamos apoiar os líderes de todo o mundo que falam para os povos indígenas, para a humanidade, as vozes que foram abafadas pela política de ganância”, completou.

 

O Regresso também rendeu o prêmio de melhor diretor a Alejandro González, que recebeu seu segundo Oscar, e o de melhor fotografia a Emanual Lubezki, único na história da premiação a receber a estatueta por três anos consecutivos.

O título de melhor filme ficou para Spotlight – segredos revelados, de Tom McCarthy. também foi considerado o melhor roteiro original. “Este filme deu voz aos sobreviventes”, disse o produtor Michael Sugar, ao comentar a denúncia feita pelo filme que conta a história de um grupo de jornalistas, em Boston, que consegue levantar documentos comprovando a prática de pedofilia praticada por padres católicos. “Esse filme amplifica essa voz que, esperamos, venha a se tornar um coro que vai ressoar por todo o caminho até o Vaticano”, acrescentou.

Ennio Morricone, o lendário compositor de trilhas sonoras de filmes como O Bom, o Mau e o Feio e Os Intocáveis, finalmente ganhou um Oscar, seu primeiro em seis indicações. Aos 87 anos, Morricone se tornou o mais idoso vencedor na história do Oscar, pela trilha do filme Os 8 Odiados, de Quentin Tarantino.

Indicada pela primeira vez, Brie Larson levou a estatueta de melhor atriz por O Quarto de Jack. A sueca Alicia Vikander foi melhor atriz coadjuvante por A Garota Dinamarquesa. Mark Rylance foi melhor coadjuvante por Ponte dos Espiões.

Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller, foi o mais contemplado, com seis prêmios: mixagem de som, edição de som, montagem, cabelo e maquiagem, design de produção e figurino.

O anfitrião, o comediante negro Chris Rock, tratou com piadas irônicas os protestos feitos à academia de cinema pela ausência de negros nas principais indicações. “A grande questão é: por que estamos protestando? Por que neste Oscar? É a 88ª edição do prêmio. Quer dizer que essa coisa toda de não indicarem negros aconteceu pelo menos outras 71 vezes. Você imagina que poderia ter acontecido nos anos 50, nos 60… e tenho certeza de que não houve indicações. Sabe por quê? Porque nós tínhamos coisas de verdade para protestar naquela época”, disse Rock em sua fala inicial.

Duplo atentado mata dezenas na Síria

Um duplo atentado que aconteceu neste domingo (21) na cidade de Homs, na Síria, matou dezenas de pessoas, informa o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Segundo a ONG, ao menos 46 morreram e dezenas ficaram feridos no centro da cidade.

A ONG informou que os atentados foram realizados com dois veículos carregados de explosivos, no bairro Al Zahraa, de maioria alauíta, um minoritário credo xiita ao qual pertence o presidente sírio, Bashar al Assad.

Além disso, afirmou que entre os mortos estão pelo menos 28 civis, enquanto os demais se desconhece se são civis ou pertencem às milícias do regime.

Segundo a Reuters, a televisão estatal cita o governador de Homs, Talal al Sarazi, que afirma que pelo menos 25 pessoas morreram no duplo atentado. Talal al Sarazi disse que o atentado aconteceu na rua 60, perto da entrada do bairro de Al Armam.

O Observatório não excluiu a possibilidade de que aumente o número de vítimas fatais entre as dezenas de feridos, vários dos quais estão em estado grave.

No dia 26 de janeiro, a mesma rua foi cenário de um duplo atentado realizado pelo EI com um carro-bomba, que foi seguido de outro cometido por um suicida com um cinto de explosivos.

A Síria sofre há quase cinco anos com um conflito que causou mais de 260 mil mortos, segundo o Observatório.

Duplo atentado neste domingo (21) na cidade de Homs, na Síria (Foto: REUTERS/SANA/Handout via Reuters)
Duplo atentado neste domingo (21) na cidade de Homs, na Síria (Foto: REUTERS/SANA/Handout via Reuters)
 

5 Coisas que você precisa saber sobre o Zika

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O canal de notícias norte-americano CNN (Cable News Network), publicou em seu site no dia 05 de fevereiro, um artigo para tirar algumas dúvidas sobre o Zica vírus, onde é respondida 5 perguntas fundamentais.

Abaixo um resumo do texto original:

1. O que é Zika e por que é tão sério?

O vírus Zika é parte da mesma família como a febre amarela, chikungunya e dengue, mas ao contrário desses, para o o vírus Zica não há nenhuma vacina para prevenir, tampouco medicamento para tratar a infecção.

O Zika vírus está sendo ligado a alarmantes casos de microcefalia – uma desordem neurológica que resulta em bebês que nascem com cabeças pequenas, de forma anormal. Isso causa problemas de desenvolvimento graves e, não poucas vezes, óbito. 

2. Como ocorre a propagação do Zika vírus?

O vírus, geralmente é transmitido quando o mosquito Aedes Aegypti pica uma pessoa com uma infecção ativa, e depois espalha o vírus ao picar outras pessoas. Há também, casos suspeito de transmissão por via sexual.

O vírus está no sangue por cerca de uma semana. Quanto tempo ele permaneceria no sêmen é algo que está sendo estudado.

3. Onde está o vírus Zika agora?

O vírus Zika está agora a ser localmente transmitidos em Barbados, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guadalupe, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, Martinica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Porto Rico, St. Martin, Suriname, Samoa, Tonga, Ilhas Virgens americanas e Venezuela, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

4. O que você pode fazer para se proteger contra Zika?

Com nenhum tratamento ou vacina disponível, a única proteção contra Zika é evitar viajar para áreas com uma infestação ativa. Se você quiser viajar para um país onde o Zika estiver presente, o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) recomenda a adesão estrita às medidas de proteção contra mosquitos: use um repelente aprovado pela EPA (Agência de Proteção Ambiental), usar calças compridas, camisas longas, de manga e grossa o suficiente para bloquear uma picada de mosquito, e dormir em ar-condicionado, quartos blindados, entre outros.

OBS: No caso do Brasil, a agência reguladora sobre as questões dos repelentes, é a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

5. O que está sendo feito para parar Zika?

Os investigadores estão a trabalhar arduamente em laboratórios de todo o mundo que tentam criar uma vacina Zika. Um ensaio clínico de uma vacina de vírus Zika poderia começar este ano, de acordo com Fauci.

Autoridades de saúde estão a implementar técnicas de controle de mosquito tradicionais, como a pulverização de pesticidas e esvaziamento de pé recipientes de água onde os mosquitos se reproduzem. O CDC incentiva proprietários, proprietários do hotel e visitantes de países com surtos Zika também para eliminar qualquer água parada que veem, como em baldes ao ar livre e vasos de flores.

 

CNN

 

Parte dos recursos dos EUA será enviado para países afetados pelo zika

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R7 Notícias – O presidente Barack Obama anunciou na segunda-feira (8), que pedirá US$ 1,8 bilhão (R$ 7,2 bilhões) ao Congresso americano para o combate do zika e o desenvolvimento de vacina contra o vírus, mas afirmou que não há razão para pânico. “A boa notícia é que isso não é como ebola, as pessoas não morrem com zika”, disse Obama em entrevista à rede de TV CBS.

A maior parte dos recursos — US$ 828 milhões (R$ 3,3 bilhões) — será destinada ao combate do mosquito transmissor do vírus, treinamento de pessoal expansão dos testes da doença e pesquisa da relação entre zika e microcefalia. Outros US$ 200 milhões (R$ 800 milhões) serão destinados ao desenvolvimento de vacina contra o vírus, atualmente inexistente. A proposta prevê ainda a destinação de US$ 335 milhões (R$ 1,3 bilhões) a ações em países afetados pelo mosquito transmissor do zika, em especial na América Latina.

O Brasil é um dos principais focos de transmissão do vírus. No fim de janeiro, Obama conversou sobre o assunto com a presidente Dilma Rousseff e ambos concordaram intensificar a cooperação bilateral no combate da doença. Cientistas brasileiros viajaram ao Texas para participar do esforço de desenvolvimento da vacina contra o zika.

Mas avanços concretos nessa frente ainda demandarão alguns anos, disse ontem Anthony Fauci, que dirige o instituto de doenças infecciosas do CDC (Centro de Controle de Doenças). Segundo ele, a fase inicial de teste pode ser concluída em 2016. Depois disso seriam necessários pelo menos mais dois anos até a comercialização da vacina.

Fauci disse não esperar contaminação por zika em grande escala nos EUA. Na semana em que conversou com Dilma por telefone, Obama convocou seus principais assessores da área de saúde para reunião na Casa Branca na qual se discutiu os riscos de expansão do vírus. 

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, 26 países e territórios das Américas registraram transmissão local de zika. Apesar de os EUA não terem contaminação pelo mosquito dentro da região continental, a Casa Branca disse ontem que há registro de aumento da atividade do Aedes aegpyti em territórios e regiões mais quentes do país, como Porto Rico.

“O governo federal está monitorando o vírus zika e trabalhando com nossos parceiros domésticos e internacionais de saúde pública para alertar os provedores de assistência médica e o público sobre o zika”, disse nota da Casa Branca. Entre dezembro e o dia 5 de fevereiro, os EUA confirmaram 50 casos de pessoas que contraíram o vírus em viagens a outros países. A preocupação das autoridades é que o aumento das temperaturas na primavera e no verão favoreça a reprodução do Aedes e facilite a transmissão da doença dentro do país, especialmente nos Estados do Sul.

Na entrevista à CBS, Obama destacou a atenção com as gestantes. “O que nós sabemos é que parece haver algum risco significativo para mulheres grávidas ou que estão pensando em ficar grávidas”, observou. “Mas não deve haver pânico em relação a isso.”

 
 

Terremoto em Taiwan deixa 7 mortos e mais de 400 feridos

Escombros após terremoto atingir o sul de Taiwan: a queda de cinco prédios na cidade de Tainan, entre eles o edifício Wei Guan, de 17 andares, originou a maior parte das vítimas e de soterrados
Escombros após terremoto atingir o sul de Taiwan: a queda de cinco prédios na cidade de Tainan, entre eles o edifício Wei Guan, de 17 andares, originou a maior parte das vítimas e de soterrados

Taipé – Um terremoto de magnitude 6,4 na escala Richter no sul de Taiwan deixou pelo menos sete mortos e mais de 400 feridos, segundo o Serviço Nacional de Emergências, que também informou que mais de dez pessoas continuam sob escombros.

A maioria das vítimas estava no edifício de 17 andares Wei Kunan, o mais afetado entre os 14 que ruíram ou ficaram seriamente danificados na cidade de Tainan.

O número de soterrados, calculado a princípio por depoimentos de moradores da região, que estimaram ao redor de cem, foi revisado com novos dados e em função dos resgates, afirmou à imprensa um dos bombeiros que participam dos trabalhos de socorro.

Um dos mortos era uma menina que havia nascido há apenas dez dias, e no lugar do acidente, onde se alternam cenas de alegria – como a de uma mulher que presenciou o resgate de seu marido – e as de angústia, como o caso de uma mãe que não tinha notícias sobre seus dois filhos, já são poucos os que continuam esperando por informações de sobreviventes.

“Se não os tirarem daí, irei eu mesma atrás deles”, disse a mãe, aos gritos, conforme mostrou a rede de televisão local “CTI”.

Um pai de família, de sobrenome Hu, recuperou as esperanças de voltar a ver a seus filhos quando os bombeiros recuperaram o gato da família e, efetivamente, pouco depois foram tirados com vida os dois garotos.

“Tinha certeza de que o gato estava com meus filhos”, disse Hu.

O panorama em Tainan é devastador, com edifícios derrubados, outros com andares destruídos e alguns inclinados e danificados em seus alicerces. Devido ao vazamento de gás, o fornecimento de energia elétrica foi cortado para evitar explosões e um posto de combustíveis da região desses edifícios foi fechado.

Vários automóveis e motos ficaram esmagados sob os edifícios, e um campo de golfe local sofreu grandes rachaduras, algumas de mais de dois metros de profundidade.

Exame

Oito lições de combate à corrupção que a Dinamarca pode dar ao Brasil

BBC Brasil Image captionDinamarca lidera ranking de países menos corruptos do mundo
BBC Brasil Image captionDinamarca lidera ranking de países menos corruptos do mundo

A Dinamarca colhe hoje os frutos de mais de 350 anos de empenho contra a corrupção no setor público e privado e, mais uma vez, figura no topo do ranking de 168 países da ONG Transparência Internacional, o principal indicador global de corrupção.

Desde que o índice foi criado, em 1995, o país está nas primeiras posições – em que estão as nações vistas como menos corruptas. Nos últimos cinco anos, só não esteve no primeiro lugar em 2011, que ficou com a Nova Zelândia. Esse é o segundo ano consecutivo em que está sozinha no topo.

O Brasil foi um dos países que registrou a maior queda no ranking neste ano: caiu sete posições, para o 76º lugar. A ONG liga a queda ao escândalo da Petrobras.

O Índice de Percepção de Corrupção é baseado em entrevistas com especialistas – em geral, membros de instituições internacionais como bancos e fóruns globais – que avaliam a corrupção no setor público de cada país.

Na raiz do bom desempenho dinamarquês estão iniciativas de meados do século 17, quando a Dinamarca perdia parte de seu reinado para a Suécia e via que era preciso ter uma administração mais eficiente para coletar impostos e financiar batalhas em curso.

Numa época em que a nobreza gozava de vários privilégios, o rei Frederik 3º proibiu que se recebessem ou oferecessem propinas e presentes, sob pena até de morte. E instituiu regras para contratar servidores públicos com base em mérito, não no título. A partir de então, novas medidas foram sendo instituídas período a período.

Peter Varga, coordenador regional da Transparência Internacional para Europa e Ásia Central, alerta, entretanto, que “países que estão no topo do ranking naturalmente não estão livres de corrupção”, pondera

Casos envolvendo empresas e políticos vez ou outra ganham destaque na Dinamarca. Há dois anos, a empresa dinamarquesa Maersk foi apontada na Operação Lava Jato como possível autora de pagamento de propinas a ex-executivos da Petrobras. E a falta de controle nos financiamentos de campanha é bastante criticada.

“Entretanto, neles isto é uma exceção, não a regra”, complementa o representante da Transparência Internacional.

Embora não esteja imune ao problema, a Dinamarca traz alguns bons exemplos que podem servir de inspiração para se combater a corrupção em países como o Brasil. Confira:

(Foto: Flávia Milhorance/BBC Brasil)
Image copyrightFlavia Milhorance l BBC Brasil Image captionPolítico Peder Udengaard vai embora a pé após conversa com a BBC Brasil

1) Menos regalias para políticos

O político Peder Udengaard é membro reeleito do conselho municipal (o equivalente a um vereador) de Aarhus, segunda maior cidade da Dinamarca, com cerca de 300 mil habitantes. Vive numa zona de classe média no centro e não possui carro, por isso vai a pé ao trabalho. Recebe um salário de 10 mil coroas dinamarquesas (R$ 6 mil) para horário parcial, complementados com atividades na direção de uma orquestra.

O único benefício que recebe é um cartão para táxi, que só pode ser usado quando participa de eventos oficiais. A entrevista concedida à BBC Brasil na prefeitura, por exemplo, não estava nesta lista. Duas vezes ao ano, a prefeitura promove eventos fora da cidade e, aí sim, pode-se gastar com deslocamento e alimentação. Presentes precisam ser tornados públicos e repassados a entidades civis.

“Essas regras independem do cargo, pode ser do mais baixo ao mais alto”, explica Udengaard. “Se eu tivesse filhos, iriam para a escola pública; encontro meu eleitorado no supermercado, na rua, no banco. Não tenho mais benefícios do que qualquer cidadão. Se quisesse enriquecer ou ter privilégios, não seria político”, completa.

Nos últimos anos, o primeiro-ministro Lars Løkke Rasmussen foi acusado em algumas ocasiões de ter usado dinheiro público para pagar contas em restaurantes, táxis, aviões, hotéis e até roupas em cargos como prefeito, ministro e presidente da organização Global Green Growth Institute (GGGI), que recebe recursos do governo.

Confirmaram-se roupas pagas pelo seu partido, Venstre, e passagens pela GGGI, episódios duramente criticados.

(Foto: Flávia Milhorance/BBC Brasil)
Image copyrightFlavia Milhorance l BBC Brasil Image captionPeder Udengaard tem mandato, mas mantém uma vida sem regalias

2) Pouco espaço para indicar cargos

Tentar beneficiar-se do setor público não é tarefa fácil na Dinamarca. Um dos motivos é que, quando o político é eleito, a equipe que trabalhará com ele é a mesma da gestão anterior. Além disso, o profissional que não reportar um ato ilícito é demitido.

“Receber incentivos econômicos seria difícil, porque os funcionários não estão interessados em acobertá-los”, afirma Peder Udengaard, garantindo nunca ter sido informado de algum caso ilícito na prefeitura de Aarhus.

“Regras claras sobre conflitos de interesse, códigos de ética e declaração patrimonial são muito importantes”, comenta Peter Varga, destacando que elas geralmente são consideradas eficientes em países no topo dos rankings de corrupção, mas ressaltando que mesmo na Dinamarca a tentação de se aceitar propinas ou exercer influência indevida é geralmente mais forte quanto mais perto se está do centro tomador de decisões políticas.

(Foto: Flavia Milhorance/BBC Brasil)
Image copyrightFlavia Milhorance l BBC Brasil Image captionNa Dinamarca, político eleito precisa trabalhar com os mesmos funcionários da gestão anterior

3) Transparência ampla

A Dinamarca também é considerada a nação mais transparente no ranking “2016 Best Countries” (“Melhores países 2016”), da Universidade da Pensilvânia, dos Estados Unidos.

Os sites dos governos, de todas as instâncias, costumam ser bem munidos de dados sobre gastos de políticos, salários, investimentos por áreas etc. E qualquer cidadão pode requerer informações que não estejam lá.

No Brasil, especialistas concordam que a transparência vem avançando. Fernanda Odilla de Figueiredo, pesquisadora sobre corrupção do Brazil Institute no King’s College, de Londres, elogia a Lei de Acesso à Informação e os portais de transparência, mas cobra acesso irrestrito:

“Em 2013, informações sobre viagens internacionais do presidente e do vice-presidente da República foram reclassificadas e só poderão ser acessadas depois que eles deixarem o poder, e no ano passado o governo de São Paulo decretou sigilo de determinados dados”, critica.

(Foto: Flávia Milhorance/BBC Brasil)
Image copyrightFlavia Milhorance l BBC Brasil Image captionTransparência e polícia valorizada ajudam país a obter status de “mais honesto”

4) Polícia confiável e preparada

Raramente, casos de corrupção envolvem a polícia dinamarquesa. A confiança na instituição é considerada muito alta, segundo o relatório 2015-2016 de competitividade global do Fórum Econômico Mundial.

“A polícia goza de alto nível de confiança. Ser um policial geralmente é considerado uma posição relativamente de status. Isto faz jovens considerarem a carreira”, acrescenta o especialista em segurança, Adam Diderichsen, professor da Universidade de Aalborg.

Diderichsen também explica que boas condições de trabalho agregam à qualidade do serviço. Após terminar o ensino médio, policiais recebem pelo menos dois anos de treinamento.

A cultura policial dinamarquesa dá ênfase a meios não coercitivos: eles usam armas, mas estão menos propensos a empregá-las do que em países fora da Escandinávia. Em geral, segundo o especialista, recebem um “bom salário de classe média, especialmente se for levado em conta a generosa aposentadoria”.

5) Baixa impunidade

O código criminal da Dinamarca proíbe propina ativa ou passiva, abuso de poder público, peculato, fraude, lavagem de dinheiro e suborno.

Em 2013, o Parlamento adotou emendas para fortalecer a prevenção, investigação e indiciamento de crimes econômicos. As penas hoje vão de multa a prisão de seis anos. Elas não são consideradas tão rígidas. Mesmo assim, são aplicadas e cumpridas.

Para a Transparência Internacional, o motivo são as instituições fortes e independentes de Justiça. Já segundo o especialista em corrupção Gert Tinggaard Svendsen, professor da Universidade de Aarhus, há mais do que isso.

“As leis não são tão duras, o que é duro é o mecanismo de punição. A tolerância à ilegalidade na Dinamarca é baixíssima não só com relação às instituições, mas até com indivíduos do convívio que infringem normas das mais simples”, diz.

(Foto: Flavia Milhorance/BBC Brasil)
Image copyrightFlavia Milhorance l BBC Brasil Image captionVocê deixaria um carrinho (com um bebê) sozinho do lado de fora de uma loja? Na Dinamarca é comum

6) Confiança social

Na Dinamarca, é comum alugar um livro da biblioteca sem o intermédio de um funcionário. Em alguns estabelecimentos, pode-se pegar o item, por exemplo uma fruta, e deixar o dinheiro.

Ou, mais surpreendente, famílias não hesitam em deixar seus filhos num carrinho de bebê do lado de fora de um restaurante. Esses pontos, segundo Gert Tinggaard Svendsen, também autor do livro Trust, têm algo em comum: a confiança.

“A confiança social traz regras informais ao jogo. São regras não escritas, entre pessoas. A confiança é a palavra-chave da autoregulação”, explica Tinggaard, que pesquisou em 86 países se as pessoas confiavam umas das outras. Na Dinamarca, mais de 70% disseram que sim. No Brasil, apenas 10%.

Segundo ele, os dinamarqueses historicamente passaram a confiar nos indivíduos e, além disso, em suas instituições. Para a ONG, a confiança social ajuda a prevenir a corrupção, pois torna o desvio à norma um tabu. Por outro lado, quanto maior a corrupção, menor a confiança da população.

(Foto: Divulgação/niversidade de Aarhus)
Image copyrightUniversidade de Aarhus Image captionTribunal de Copenhague onde ocorria a maior parte dos julgamentos iniciados no século 19

7) Ouvidoria forte

A Ouvidoria Parlamentar é um órgão que emprega cem funcionários e recebe por ano cinco mil reclamações contra o governo. Destas, pelo menos 50% resultam em críticas ou recomendações. Mais do que apenas notificações, a instituição tem poder de promover mudanças das mais diversas.

“Se outros países quisessem aprender com a Dinamarca, eles deveriam, por exemplo, ter um escritório parlamentar de ouvidoria com uma auditoria independente para ajudar a controlar o Legislativo e Executivo”, pontua Peter Varga, da Transparência Internacional.

8) Empenho constante contra a corrupção

O combate à corrupção na Dinamarca começou no século 17, mas sofreu um aumento no século 19, após uma crise econômica. Para controlar o problema, foi instaurada a tolerância zero na administração real. Segundo a professora da Universidade de Aarhus, Mette Frisk Jensen, pesquisadora do tema, os níveis de corrupção são baixos desde então.

Para Fernanda Odilla de Figueiredo, a experiência da Dinamarca nos ensina que o combate à corrupção não é resolvido de uma só vez. Trata-se de um processo longo, em que é preciso estar sempre vigilante.

“O maior mérito da Dinamarca não é ser o primeiro lugar do ranking, mas se manter no topo por tanto tempo. Isso significa que o Brasil precisa não apenas melhorar o combate à corrupção, como encontrar uma forma de fazer isso de forma estável e consistente.”

Menino amputa mão para se ‘desculpar’ por insulto a Maomé

  • Um adolescente amputou por iniciativa própria uma de suas mãos após ter sido acusado publicamente de blasfêmia no Paquistão.

    O incidente aconteceu quando Qaiser (nome fictício), um jovem de 15 anos, entendeu errado uma pergunta durante uma celebração a Maomé realizada em uma mesquita na Província de Punjab, no leste do país.

    Durante a oração em homenagem ao nascimento do profeta, o clérigo perguntou aos presentes: “Quem entre vocês crê em Maomé?”. Todos levantaram as mãos. Em seguida, ele questionou: “Quem entre vocês não acredita nos ensinamentos do santo profeta? Levantem suas mãos!”.

    Qaiser entendeu errado a pergunta e, sem querer, levantou a mão.

    Havia cerca de cem pessoas na mesquita, e o clérigo imediatamente acusou o garoto de blasfêmia. Qaiser voltou para casa e quis provar seu amor pelo profeta – amputando sua própria mão com um cortador de grama. Depois, ele colocou-a em um prato e apresentou ao clérigo.

  • “Quando eu levantei minha mão direita sem querer, eu percebi que havia cometido uma blasfêmia e precisava compensar tamanha afronta”, disse ele à BBC.

    Após a atitude do garoto, toda a aldeia entrou em êxtase e pessoas de outros povoados vizinhos estão chegando para prestar homenagens a Qaiser.

    O clérigo, no entanto, foi preso, enquadrado na lei antiterrorismo do Paquistão – acusado de ter instigado o extremismo e o fanatismo religioso.

    Debate

    A “punição” que Qaiser deu a si mesmo tomou proporções inimagináveis para ele, que segue convicto de ter feito a coisa certa cortando sua mão.

    Quando perguntado se sentiu dor ao amputá-la, ele disse que não.

    Menino usou cortador de grama para amputar mão
    Menino usou cortador de grama para amputar mão Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

    “Por que eu sentiria dor ou teria algum problema cortando uma mão que foi levantada contra o santo profeta?!”

    O incidente expõe a dificuldade de abordar o assunto ou debater qualquer tema religioso no Paquistão, um país onde 97% dos 200 milhões de habitantes são muçulmanos.

    A blasfêmia é um tema bastante sensível no Paquistão, uma república islâmica, onde até as acusações sem fundamento podem gerar violência e linchamentos.

    Segundo a repórter da BBC que acompanhou o caso, Iram Abbasi, o episódio do garoto é inédito no país, já que o adolescente não se considera uma vítima, e a família dele e vizinhos comemoraram sua automutilação.

  • Lei antiblasfêmia

    Embora o governo tenha tomado medidas contra o extremismo religioso, muitas pessoas seguem adotando um discurso de fanatismo e influenciando a opinião pública para esse lado.

    A Constituição define o Paquistão como uma república islâmica e, em 1984, o então líder do país, General Zia ul-Haq, colocou no Código Penal uma “lei antiblasfêmia” que inclui castigos de prisão perpétua e pena de morte para quem insultar o islã.

    'Por que teria dor cortando uma mão que foi levantada contra o santo profeta?', questionou o garoto
    ‘Por que teria dor cortando uma mão que foi levantada contra o santo profeta?’, questionou o garoto Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

    Entre as ofensas estão “profanar o Alcorão” e “difamar o profeta Maomé”.

    Em teoria, as leis foram estabelecidas para proteger os costumes e tradições da sociedade muçulmana. Mas, na prática, elas têm servido como uma brecha legal para justificar vinganças políticas e pessoais entre muçulmanos.

    Essas leis também costumam ser utilizadas contra as minorias religiosas do país, como os cristãos e os hindus.

    E mesmo as acusações feitas sem prova podem instigar a violência e os linchamentos. Quando alguém é acusado de blasfêmia no Paquistão, tanto sua família como sua comunidade são vulneráveis a ataques de grupos que se sintam ofendidos por suposta ofensa religiosa.

    Do outro lado, os críticos de vários países europeus têm pedido ao governo paquistanês que intervenha, modificando as leis e castigando os “instigadores” do discurso mais extremista.

    dolescente amputou por iniciativa própria uma de suas mãos após ter sido acusado publicamente de blasfêmia no Paquistão.

    O incidente aconteceu quando Qaiser (nome fictício), um jovem de 15 anos, entendeu errado uma pergunta durante uma celebração a Maomé realizada em uma mesquita na Província de Punjab, no leste do país.

    Durante a oração em homenagem ao nascimento do profeta, o clérigo perguntou aos presentes: “Quem entre vocês crê em Maomé?”. Todos levantaram as mãos. Em seguida, ele questionou: “Quem entre vocês não acredita nos ensinamentos do santo profeta? Levantem suas mãos!”.

    Qaiser entendeu errado a pergunta e, sem querer, levantou a mão.

    Havia cerca de cem pessoas na mesquita, e o clérigo imediatamente acusou o garoto de blasfêmia. Qaiser voltou para casa e quis provar seu amor pelo profeta – amputando sua própria mão com um cortador de grama. Depois, ele colocou-a em um prato e apresentou ao clérigo.

Portal Terra

Ministro do Turismo busca investimentos espanhóis

Henrique Eduardo Alves apresenta áreas estratégicas e vantagens do turismo brasileiros para empresários em Madri

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Um dia antes da abertura oficial da Feira Internacional de Turismo (Fitur), uma das maiores do mundo, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, reuniu-se nesta terça-feira (19), com empresários espanhóis para atrair investimentos para o Brasil. A XIX Conferencia Iberoamericana de Ministros e Empresários de Turismo contou também com a participação de representantes do governo de El Salvador, Guatemala e Bolívia, todos empenhados em mostrar as oportunidades nos respectivos países para novos negócios.

“O Brasil é considerado o número um em atrativos naturais pelo Fórum Econômico Mundial, temos um litoral de 8 mil quilômetros, uma cultura diversa e um mercado interno com potencial incrível”, afirmou Henrique Eduardo Alves. Ele destacou que atualmente 60 milhões de brasileiros consomem turismo e, segundo estudos oficiais, outros 70 milhões de pessoas podem ser inseridos no mercado.

Perguntado pelo presidente do Instituto de Qualidade de Turismo da Espanha (ICTE, na sigla em espanhol), Miguel Martínez, que tipo de investidor e quais vantagens o Brasil oferecia para possíveis interessados, o ministro Turismo informou que o país tem desenvolvido uma série de parcerias com a iniciativa privada para desenvolver infraestruturas estratégicas como a aeroportuária.

Henrique Eduardo Alves também apontou como vantagens para possíveis investidores o esforço do governo em melhorar a qualificação profissional no país. “Cada vez mais o Brasil tem incluído o turismo na agenda estratégica do governo. Ainda temos um campo amplo para avançar até chegar aos países que são líderes do setor como a própria Espanha que recebe mais de 60 milhões de estrangeiros por ano”, comentou.

O ecoturismo foi apontado como principal oportunidade para os investidores. “Estamos totalmente abertos para parcerias positivas com o setor produtivo. A Olimpíada é uma prova. Cerca de 60% do investimento vem da iniciativa privada. São estruturas que no fim dos jogos serão exploradas comercialmente”, disse.

FMI piora projeções para o Brasil e deixa de ver crescimento em 2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou a perspectiva de queda da economia brasileira em 2016 e não vê mais retomada do crescimento em 2017 – como era previsto pela entidade em outubro. A piora na economia brasileira vai pesar sobre a economia mundial como um todo, segundo o fundo.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve sofrer queda de 3,5% este ano – em outubro, a projeção era de contração de 1%. Isso depois de ter encolhido 3,8% em 2015, em estimativa também revisada para baixo (a queda prevista antes era de 3%), segundo atualização do relatório “Perspectiva Econômica Global” divulgada nesta terça-feira (19).

Já em 2017, o FMI aponta que o Brasil deve registrar estagnação econômica – crescimento zero –, em vez da expansão de 2,3% esperada antes.

Fachada da sede do FMI em Washington (Foto: Reuters)
Fachada da sede do FMI em Washington (Foto: Reuters)

A entidade cita em relação ao país “a recessão causada pela incerteza política e contínuas repercussões da investigação na Petrobras”, o que está sendo mais profundo e prolongado do que se esperava.

Com isso, o desempenho da economia brasileira fica bem aquém da região de América Latina e Caribe como um todo, cujas expectativas são de recuo de 0,3% do PIB em 2016 e crescimento de 1,6% no ano seguinte.

Segundo o FMI, a economia brasileira pesou sobre as estimativas para o crescimento global, que foram reduzidas em 0,2 ponto percentual tanto para 2016 quanto para 2017, respectivamente, para expansão de 3,4% e 3,6% (em outubro, estimativas eram de alta de 3,6% em 2016 e 3,8% em 2017).

“Essas revisões refletem de maneira substancial, mas não exclusivamente, uma retomada mais fraca nas economias emergentes do que previsto em outubro”, completou o FMI, citando ainda os preços mais baixos do petróleo e a expectativa de estabilização dos Estados Unidos em vez de recuperação da força.

Emergentes e em desenvolvimento
Para o FMI, os mercados emergentes e economias em desenvolvimento estão enfrentando agora uma nova realidade de crescimento mais baixo, com forças cíclicas e estruturais afetando o tradicional paradigma de crescimento.

G1