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Veja a repercussão entre líderes internacionais sobre vitória de Trump

Presidente Putin enviou parabéns para Trump (Foto: Alexei Druzhinin/Sputnik, Kremlin Pool Photo/AP)
Presidente Putin enviou parabéns para Trump (Foto: Alexei Druzhinin/Sputnik, Kremlin Pool Photo/AP)

G1 – A vitória do republicano Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos provocou reações de líderes internacionais. Alguns ministros de relações exteriores e representantes europeus demonstraram uma certa apreensão. Já os presidentes da Rússia e das Filipinas se apressaram para demonstrar que a intenção de melhorar as relações com os Estados Unidos.

Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos felicitou Trump pela vitória e o convidou para um encontro na Casa Branca na quinta-feira.

Vladimir Putin, presidente da Rússia
“A Rússia está pronta e quer restaurar as relações de pleno direito com os EUA”, afirmou Putin, segundo a CNN. Ele enviou em um telegrama a Trump no qual expressou a “esperança de que [seja realizado] um trabalho mútuo para tirar as relações entre Rússia e Estados Unidos de sua situação crítica” e “disse estar certo de que será iniciado um diálogo construtivo entre Moscou e Washington”.

Theresa May, primeira-ministra britânica
Em mensagem no Facebook, a premiê felicitou Trump pela vitória após a “árdua campanha”.    “A Grã-Bretanha e os Estados Unidos têm uma relação duradoura e especial com base nos valores da liberdade e da democracia. Nós somos, e continuaremos a ser, parceiros fortes e próximos em matéria de comércio, segurança e defesa. Estou ansiosa para trabalhar com o presidente eleito, Donald Trump, com base em laços para garantir o Estes segurança e a prosperidade de nossos países nos anos vindouros.

Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas
Em um comunicado ele enviou suas “calorosas felicitações” a Donald Trump pela vitória. O líder asiático expressou seu desejo de “trabalhar com a administração futura para melhorar as relações entre Filipinas e EUA baseadas no respeito mútuo, benefício mútuo e o compromisso partilhado rumo a ideias democráticas e o Estado de direito”, segundo a agência Efe.

François Hollande, presidente francês
“O triunfo de Trump abre um período de incerteza”, afirmou o presidente francês, François Hollande.

Angela Merkel, chanceler alemã
A chanceler alemã felicitou Trump pela vitória. “A democracia, a liberdade, o respeito às leis e o respeito às pessoas, independentemente da cor, são os valores que compartilhamos com os Estados Unidos”, afirmou, segundo a Reuters.

Mohammad Javad Zarif, Relações Exteriores iraniano
O Relações Exteriores iraniano afirmou que Donald Trump deve permanecer comprometido com o acordo nuclear internacional. “Os Estados Unidos devem cumprir seus compromissos no Plano Integral Conjunto de Ação [o acordo nuclear] como um acordo internacional multilateral”, disse Zarif durante uma visita à Romênia. A Reuters reproduziu informações sobre a agência de notícias Tasnim.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense
“Felicito o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump é verdadeiro amigo do Estado de Israel. Vamos trabalhar em conjunto para promover a segurança, a estabilidade e a paz em nossa região”, afirmou em mensagem no Twitter.

Recep Tayyip Erdogan, presidente turco
O presidente turco afirmou ter esperança de que a eleição nos Estados Unidos promova avanços para a região. “Espero que esta escolha do povo americano leve a medidas benéficas para o mundo em relação aos direitos e liberdades fundamentais, à democracia e aos desenvolvimentos na nossa região”, afirmou, segundo a Reuters.

Haider Al-Abadi, primeiro-ministro iraquiano
“Parabéns ao presidente eleito @realDonaldTrump. Esperamos ansiosos a continuação do apoio dos EUA para o Iraque na guerra contra o terror”, afirmou Haider Al-Abadi no Twitter.

Ursula von der Leyen, ministra de Defesa da Alemanha
“Choque enorme. Acho que Trump sabe que não foi um voto para ele, mas sim contra Washington, contra o establishment”.

Jean-Marc Ayrault, ministro das Relações Exteriores da França
“A personalidade do republicano levanta questões e tenho dúvidas sobre o que significará um governo Trump para os principais desafios na política externa, das mudanças climáticas ao acordo sobre o programa nuclear do Irã e a guerra na Síria”.

Lu Kang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China
“Esperamos que o novo governo dos EUA possa trabalhar com a China em uma cooperação que beneficie aos povos de ambos países”.

Carl Bildt, ex-ministro das Relações Exteriores da Suécia
“Parece que esse será o ano do desastre duplo para Ocidente. Apertem os cintos”.

Marine Le Pen, líder da extrema-direita na França,  presidente da Frente Nacional
“Felicitações ao novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e ao povo americano”.

Donald Trump vence Hillary Clinton e é eleito presidente dos EUA

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G1 – Donald Trump será o 45º presidente dos Estados Unidos. Contrariando pesquisas e previsões, ele derrotou Hillary Clinton e teve sua vitória projetada pela agência Associated Press (AP) às 5h32 (hora de Brasília) desta quarta-feira (9).

Quando entrou o número de delegados do estado de Wisconsin na conta da AP, Trump alcançou 276 delegados, ultrapassando o limite de 270 necessários para ser o vencedor no Colégio Eleitoral. A imprensa americana informou minutos depois que Hillary ligou para o rival e admitiu a derrota. “Eu a cumprimentei pela campanha muito disputada”, disse Trump em seguida, em seu discurso da vitória.

Ao falar aos seus simpatizantes, Trump defendeu a união do país após a disputa eleitoral, ao afirmar que será presidente para “todos os americanos”.

“Todos os americanos terão a oportunidade de perceber seu potencial. Os homens e mulheres esquecidos de nosso país não serão mais esquecidos”, discursou. Trump disse ainda que o plano do país deve ser refeito. “Vamos sonhar com coisas para nosso país, coisas bonitas e de sucesso novamente.”

eleitores comemoram vitória de Trump (Foto: Joshua Roberts/Reuters)
Eleitores comemoram vitória de Trump (Foto: Joshua Roberts/Reuters)

Disputa
A democrata Hillary, de 69 anos, e o republicano Trump, de 70, protagonizaram uma disputada e agressiva campanha de quase dois anos, marcada por ofensas e ataques pessoais.

Durante a noite, enquanto a apuração avançava, Trump conquistou vitórias surpreendentes sobre Hillary em estados-chave para a definição, abrindo o caminho para a Casa Branca eabalando os mercados globais que contavam com uma vitória da democrata.

A maré começou a virar a favor de Trump após as vitórias na Flórida, Carolina do Norte, Ohio e Iowa. Ele ainda se tornou o primeiro candidato de seu partido a ganhar na Pensilvânia desde que George H. W. Bush o fez em 1988.

A demora na definição de alguns estados, onde os números de Hillary e Trump ficaram muito próximos, fez com que a primeira projeção sobre sua vitória tenha saído apenas às 5h32, muito mais tarde do que nas eleições anteriores. Em 2012, por exemplo, o resultado já era conhecido antes das 2h30 da quarta.

Entre os estados considerados decisivos para o resultado, Trump conquistou a Flórida, onde Hillary chegou a liderar por uma pequena margem durante grande parte da apuração e onde Obama ganhou em suas duas eleições.

Segundo análise do “New York Times”, o número de votos de eleitores brancos e com maior renda foi suficiente para que ele abrisse uma margem capaz de compensar o eleitorado latino do estado, que em sua grande maioria votou em Hillary.

Já antes de sair a projeção da vitória de Trump, o chefe da campanha de Hillary, John Podesta, disse que ela não falará durante a noite. Ele pediu que os simpatizantes da candidata voltassem para casa.

Com discursos centrados nas frustrações e inseguranças dos americanos num mundo em mutação, Donald Trump tornou-se a voz da mudança para milhões deles.

Trajetória
Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa.

Desde criança ele mostrava um comportamento rebelde, tanto que seu pai teve que tirá-lo da escola aos 13 anos, onde havia agredido um professor, e interná-lo na Academia Militar de Nova York, com a esperança de que a disciplina militar corrigisse a atitude de seu filho.

Trump graduou-se em 1964 na academia, onde alcançou a patente de capitão e vislumbrava seu destino: “Um dia, serei muito famoso”, comentou então ao cadete Jeff Ortenau.

Em 1968, o hoje magnata formou-se em Economia na Escola Wharton da Universidade da Pensilvânia, e se transformou no favorito para suceder seu pai no comando da empresa familiar, Elisabeth Trump & Son, dedicada ao aluguel de imóveis de classe média nos bairros nova-iorquinos de Brooklyn, Queens e Staten Island.

Trump assumiu em 1971 as rédeas da companhia, rebatizada como The Trump Organization, e se mudou para a Manhattan. Enquanto seu pai construía casas para a classe média, ele optou pelas torres luxuosas, hotéis, casinos e campos de golfe. Trump gosta de dizer que começou seus próprios negócios modestamente, com “um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão” de seu pai.

O jovem Donald Trump (ao centro) (Foto: Reprodução/TV Globo)
O jovem Donald Trump (ao centro) (Foto: Reprodução/TV Globo)

Já nos anos 1980, tinha em construção diversos empreendimentos na cidade, incluindo a Trump tower, o Trump Plaza, além de cassinos em Atlantic City, em Nova Jersey. Casou-se pela primeira vez em 1977, com a modelo tcheca Ivana Zelníčková, com quem tem três filhos, e pela segunda vez em 1993, com a atriz Marla Maples, com quem tem uma filha.

Em 2011, se casou com sua atual mulher, Melania Knauss, ex-modelo eslovena de 46 anos que cria seu filho Barron, de 10 anos. Ela foi colocada longe dos holofotes durante a campanha. Já seus filhos adultos, Ivanka, Donald Jr., Eric Tiffany participam da corrida eleitoral. Trump tem sete netos.

Na começo da década de 90, três dos seus cassinos entraram em falência por causa de dívidas, na tentativa de reestruturá-las. Em 1996, comprou os direitos dos concursos Miss USA, Miss Universo e Miss Teen, tornando-se seu produtor executivo.

Donald Trump e sua primeira mulher, Ivana, no dia em que adquiriu cidadania americana, em 1988 (Foto: AP)
Donald Trump e sua primeira mulher, Ivana, no dia em que adquiriu cidadania americana, em 1988 (Foto: AP)

Oito anos mais tarde, tornaria-se figura pública ainda mais conhecida ao virar apresentador do programa “The Apprentice”, em que tinha o poder de demitir os participantes.

Apesar de afirmar ter US$ 10 bilhões, sua fortuna foi estimada em US$ 4,5 bilhões pela Forbes. Em 2014, o Partido Republicano sugeriu que concorresse ao governo de Nova York, mas Trump disse que o cargo não lhe interessava.

Trump mora em um triplex no topo da Torre Trump em Nova York, e viaja em seu Boeing 757 privado, que serve regularmente como pano de fundo para seus comícios.

Cabelo tingido de loiro, impecavelmente vestido, ele fascina e horroriza. Quando uma dúzia de mulheres o acusaram de assédio e gestos sexuais impróprios, ele tratou todas de mentirosas.

Trump não é dos mais fiéis a ideologia: foi democrata até 1987 e, em seguida, republicano (1987-1999), membro do partido da Reforma (1999-2001), democrata (2001-2009), e republicano novamente. Durante a sua carreira foi alvo de dezenas de processos civis relacionados aos seus negócios.

donald Trump diante de seu helicóptero, em 1988 (Foto: AP)
Donald Trump diante de seu helicóptero, em 1988 (Foto: AP)

Recusou-se a publicar seu imposto de renda – uma tradição para os candidatos à Casa Branca – e reconheceu que não tinha pago impostos federais durante anos, depois de informar enormes perdas de US$ 916 milhões em 1995. “Isto faz de mim uma pessoa inteligente”, disse ele, mais uma vez causando enorme polêmica.

Eleições EUA: Hillary Clinton pode se tornar primeira mulher a chegar ao poder

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“Eu não nasci democrata” disse, uma vez, Hillary Clinton, 69 anos, ao se referir à sua infância conservadora e também ao período em que fez militância para o senador Barry Goldwater, nos anos 60. O político é até hoje uma das maiores referências do Parido Republicano. Em 1966, porém, ela assistiu a um discurso do reverendo Martin Luther King, o homem que liderou a conquista dos direitos civis em favor dos negros. O discurso teve um profundo impacto em sua vida e serviu, anos mais tarde, para que ela entrasse definitivamente na vida política, pelo Partido Democrata, com uma proposta de governo em favor dos pobres, imigrantes, negros, latinos e movimento LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis, Transgêneros e Intersexuais).

Mas não foi fácil para ela se desgrudar do ambiente conservador da família. Nascida em 26 de outubro de 1969 no hospital Edegwater, em Chicago, uma das maiores referências na área de saúde do estado de Illinois, ela e seus dois irmãos mais jovens –  Hugh (nascido em 1950) e Anthony (nascido em 1957) – foram submetidos desde cedo, pelo pai Hugh e pela mãe Dorothy, a uma vida disciplinada. Valores tradicionais embasaram a formação da candidata, que teve educação familiar rígida, comparecia à igreja todos os domingos, obedecia a regra de respeito aos mais velhos e sempre foi orientada a cumprir o dever de casa e à prática de esportes. Preocupado com o futuro da filha mais velha, o pai  – um instrutor físico da Marinha – sempre lhe dizia: “tudo o que um homem pode fazer, você também pode”.

Família e carreira 

Adepta da Igreja Metodista, Hillary teve, além de Martin Luther King, o pastor Dom Jones, também metodista, como o grande inspirador de sua vida. “Foi ele quem me ensinou significado da fé na prática”, disse Hillary, ao se referir aos conselhos de Dom Jones para que mantivesse a ambição de mudar o mundo, sem no entanto descuidar das tarefas práticas, como ter uma família e zelar pela profissão. Hillary levou o conselho de Dom Jones ao pé da letra e buscou os dois objetivos – família e profissão – quase ao mesmo tempo.

Primeiro, Hillary graduou-se em Ciência Política pelo Wellesley College, em 1969, onde se tornou a primeira estudante oradora de turma. Durante a solenidade, fez um discurso que repercutiu em todas as universidades americanas e ofuscou até mesmo o orador oficial, o senador Edward Brooke. Em um dos trechos, ela disse: “devemos viver em relação uns aos outros na poesia completa da existência. Se a única ferramenta que temos em última análise para usar é a nossa vida, vamos usá-la da maneira que podemos, escolhendo uma forma de viver que demonstre o jeito como nos sentimos e da forma como sabemos”.

Depois de passar pelo Wellesley College, onde passou a adotar posições claramente identificadas com o Partido Democrata, Hillary ingressou na Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos. Foi lá que conheceu o então jovem William (Bill) Clinton. Eles começaram a namorar e alugaram a primeira casa juntos. Nesse período, eles apoiaram o então candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, George McGovern, um crítico da Guerra do Vietnã. Em 1973, ela recebeu o título de doutora pela Faculdade de Direito de Yale.

De advogada a protagonista política 

Em 1974, com apenas 26 anos, Hillary foi convidada para integrar a equipe de advogados que recebeu a incumbência de acumular provas que levariam ao impeachment do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. O ex-presidente Nixon, porém, renunciou ao mandato em 9 de agosto de 1974, antes da votação do impeachment pelo Congressso. Bill Clinton também foi convidado para fazer parte da equipe de advogados, optou por outro convite, para ser candidato a governador do estado Arkansas. Em 1975, antes de Clinton tomar posse, Hillary deixou o posto de assessora jurídica do Congresso, casou-se com Bill Clinton.

Quando Bill Clinton assumiu a presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 1993, Hillary foi incumbida da tarefa de ajudar a promulgar o plano de saúde Clinton, que no entanto não foi para a frente. Entre 1997 e 1999, Hillary Clinton ajudou a criar o Programa Estatal de Seguro de Saúde das Crianças. Ela também ajudou a enfrentar os problemas de adoção, segurança familiar e cuidados de acolhimento. Na conferência da ONU, em 1995,  realizada em Pequim, Hillary declarou em um discurso, que na época gerou polêmica, que “os direitos humanos são direitos das mulheres e os direitos das mulheres são direitos humanos”. Ainda durante o mandato de Bill Clinton, em 1998, o presidente enfrentou um escândalo ao se relacionar com a estagiária da Casa Branca, Mônica Lewinsky, mas o casamento com Hillary sobreviveu à crise, que teve ampla exposição na imprensa.

Em 2000, Hillary Clinton foi eleita senadora por Nova York. Foi a primeira mulher a ser eleita senadora no estado e a primeira vez que uma mulher de presidente norte-americano era eleita. Em 2006, ela foi reeleita senadora e, logo depois, concorreu para a nomeação democrata na eleição presidencial de 2008. Naquele momento ela se tornou a mulher que ganhou mais primárias na história norte-americana. Porém, acabou perdendo a nomeação para o atual presidente Barack Obama, de quem foi secretária de Estado de 2009 a 2013.

Em 2016, Hillary Clinton lançou sua candidatura para ser a indicada do Partido Democrata democrata à presidência dos Estados Unidos. Em julho, Hillary venceu as primárias democratas e tornou-se a primeira mulher a ser indicada para a presidência dos Estados Unidos por um grande partido político.

Eleições 2016: o presidente dos EUA é realmente a pessoa mais poderosa do mundo?

Obama tem o poder limitado pela obstrução do poder legislativo, ainda assim conseguiu implementar sua marca na política internacional dos Estados Unidos (Foto: Reprodução: TV Globo)
Obama tem o poder limitado pela obstrução do poder legislativo, ainda assim conseguiu implementar sua marca na política internacional dos Estados Unidos (Foto: Reprodução: TV Globo)

G1 – As eleições para presidente dos Estados Unidos, que ocorrem nesta terça-feira (8), decidirão quem vai governar a maior potência global nos próximos quatro anos: Hillary Clinton ou Donald Trump.

Para muitos, os norte-americanos estão prestes a escolher a pessoa mais poderosa do mundo.

O raciocínio é simples: o vencedor será chefe de Estado e de governo da maior economia do mundo, com uma influência global sem paralelos e com as forças armadas mais poderosas do planeta.

Para Daniel Drezner, professor de política internacional da Universidade Tufts e membro residente da Brookings Institution, um centro de análises em Washington, esse fato é incontestável.

“O presidente dos Estados Unidos tem o comando de um dos maiores arsenais nucleares do mundo e pode decidir fazer uso dessas armas sem necessitar da aprovação de outro poder do Estado,” argumenta.

De fato, justamente a extensão do poder do presidente – e os temores que ele desperta – acabou sendo abordado na própria campanha eleitoral.

Por diversas vezes, Hillary alertou sobre a possibilidade de os códigos de lançamentos nucleares ficarem sob o controle de Trump, a quem acusa de falta de temperamento e experiência para ser o comandante-em-chefe das forças armadas dos Estados Unidos.

Já o magnata do setor imobiliário disse que a proliferação nuclear é o maior problema que o mundo enfrenta. Ele não descartou o uso desse tipo de armamento como última alternativa, ainda que tenha declarado que não faria uso desse recurso facilmente.

Arturo Valenzuela, que já administrou questões interamericanas no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca durante o governo de Bill Clinton e chefiou a diplomacia dos Estados Unidos para o hemisfério ocidental quando Hillary foi secretária de Estado, afirmou que o que preocupa é a capacidade de Trump de atuar em uma situação dramática, como, por exemplo, durante um eventual enfrentamento com a Coreia do Norte.

No entanto, Valenzuela pondera que em questões como política externa para países da América Latina o presidente dos Estados Unidos tem poder limitado.

“A liberdade do presidente para atuar de forma independente são muito relativas, explica o especialista, que é hoje um dos porta-vozes da campanha de Hillary.

“O presidente precisa do apoio do Congresso e de outras entidades. O presidente dos Estados Unidos não pode, via decreto, mudar toda a política para uma região e o mesmo vale para questões de política nacional,” explica Valenzuela.

A Constituição e a lei dos Estados Unidos limitam o poder presidencial e decorrem de uma preocupação fundamental dos líderes que fundaram o país: evitar a tirania.

Assuntos importantes, como a assinatura de novos acordos comerciais ou uma declaração de guerra por parte de Washington requerem autorização do congresso em Washington.

O presidente dos Estados Unidos tem alguma margem de manobra para alterar pactos e políticas comerciais ou mobilizar e enviar tropas sem esperar pelo aval do Legislativo – no entanto, para este último, necessitará de autorização do Congresso imediatamente após ter dado a ordem.

Russian President Vladimir Putin speaks at his meeting with heads of international news agencies at the St. Petersburg International Economic Forum in St. Petersburg, Russia, Friday, June 17, 2016. (Foto: Dmitry Lovetsky/AP)Vladimir Putin teria maior liberdade para agir do que o presidente dos Estados Unidos e foi eletio por três vezes o mais poderoso do mundo pela revista Forbes (Foto: Dmitry Lovetsky/AP)

O presidente Barack Obama, por exemplo, levou ao Congresso um pedido de autorização para a guerra contra o Estado Islâmico, mas não obteve sucesso e a sua campanha militar atualmente se apoia em um aval votado logo após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Diversos especialistas consideram que o poder do presidente tenha aumentado nos últimos tempos, especialmente após os ataques da Al-Qaeda a Nova York e Washington.

No entanto, alguns consideram que há outros líderes com mais poder em suas mãos do que o presidente dos Estados Unidos.

Nos últimos três anos, a revista Forbes colocou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no topo do seu ranking anual das pessoas mais poderosas do mundo. De acordo com a revista, Putin tem a capacidade de “fazer o que quiser e escapar sem maiores prejuízos”.

O segundo lugar da lista também não foi Barack Obama, mas sim a chanceler alemã, Angela Merkel, por considerá-la ser “a coluna vertebral da União Europeia e seus 28 membros”.

O presidente dos Estados Unidos ficou apenas com o terceiro lugar porque, segundo a revista, a sua influência diminui ao entrar no último ano de mandato.

O quarto lugar foi dado ao papa Francisco, por ser o líder espiritual de “um sexto da população mundial”.

Também há outras pessoas que poderiam concorrer ao topo do pódio. O presidente da China, Xi Jinping, por exemplo, que tem concentrado poder em suas mãos.

A presidente do BC dos EUA, Janet Yellen, durante evento no dia 2 de dezembro (Foto: REUTERS/Joshua Roberts)A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, decide as políticas de juros que afeta a economia mundial e o preço do dólar (Foto: REUTERS/Joshua Roberts)

Janet Yellen, que define a política do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, é outra candidata. Quando Yellen assumiu o cargo, a revista The Atlantic afirmou que ela seria “a mulher mais poderosa da história em todo o mundo”.

É ela, e não Obama ou seu sucessor, que exerce papel-chave na decisão das mudanças das taxas de juros, que afetam os custos de empréstimos bancários ou o valor do dólar.

O próprio Trump surpreendeu durante sua campanha ao dizer que Putin era um líder mais forte que Obama.

Barack Obama defende manifestante pró-Trump em comício nos EUA (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)Barack Obama usou seu poder discricionário para implementar sua marca na política (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

Agora muitos se perguntam como uma presidência de Trump – que fala em erguer um muro na fronteira com o México ou revisar os pactos comerciais e de cooperação internacional – poderia afetar os Estados Unidos e o mundo.

“Se Donald Trump fosse eleito, eu ficaria muito preocupado. Porque, por um lado, o presidente dos Estados Unidos está muito restrito por limitações institucionais, mas, por outro, ele tem muito poder discricionário,” afirma Peter Gourevitch, professor de relações internacionais da Universidade da Califórnia, em San Diego.

“Em questões de segurança, o presidente pode causar muitos problemas. Durante a crise dos mísseis de Cuba, o presidente John F. Kennedy teve bastante liberdade para intervir. Assim como Lyndon Johnson durante a guerra do Vietnã,” afirma o professor.

O próprio Obama, que não tem maioria no Congresso, tem usado amplamente sua autoridade executiva e seu poder discricionário para deixar seu legado na política doméstica e exterior.

Ainda que não tenha conseguido que o Congresso aprovasse o fim do embargo a Cuba, ele foi bem sucedido ao normalizar as relações diplomáticas com o país dos irmãos Castro.

“Os presidentes dos Estados Unidos são poderosos, mas nem tanto,” afirma Randall Kennedy, que é professor de direito da Universidade de Harvard.

“Eles não são capazes de mudar a cultura política dos Estados Unidos,” pondera.

Quem é Hillary Clinton, a mulher que pode comandar o país mais poderoso do planeta

História da candidata Hillary Clinton é marcada pelo ativismo político desde sua juventude ETHAN MILLER
História da candidata Hillary Clinton é marcada pelo ativismo político desde sua juventude
ETHAN MILLER

Caso Hillary Clinton derrote Donald Trump nas eleições do próximo dia 8 de novembro, ela se tornará a primeira mulher a governar os Estados Unidos.

Seria o ponto mais alto de uma vida pública está engendrada no coração da política do país: ela já foi primeira-dama, senadora e secretária de Estado.

Mesmo sendo alguém que teve a vida tão escrutinizada, poucas pessoas sentem que conhecem a “verdadeira” Hillary Clinton — em pesquisas, muitos americanos dizem simplesmente não confiar nela.

A BBC Brasil publicou um perfil com a trajetória de Donald Trump e agora você também confere a história da democrata, passando pela jornada dela de Chicago à Casa Branca pela primeira vez e por agora, na sua segunda tentativa de chegar lá novamente — só que como presidente.

26 de outubro de 1947: Nascimento em Chicago

O Hospital Edgewater, no norte de Chicago, está fechado atualmente — um abandono que dói em moradores, segundo muitos deles. Mas em outubro de 1947, estava na ativa e a todo vapor.

Dorothy Rodham tinha 28 anos e estava casada com o marido, Hugh, desde 1942 quando entrou em trabalho de parto no dia 26 para ter a primeira filha do casal, Hillary.

Dorothy teve uma infância difícil depois que os pais a abandonaram e por isso estava determinada a não repetir os mesmos erros.

O pai de Hillary, Hugh, era um homem irascível e fortemente conservador e havia sido um instrutor físico para a Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial.

Ficou conhecido por incentivar o sucesso dos filhos e costumava dizer para Hillary: “tudo o que um homem pode fazer, você também pode fazer”.

15 de abril de 1962: Encontro com Martin Luther King

Em uma tarde de primavera em Chicago, uma das figuras mais controversas dos Estados Unidos fez um discurso vibrante na casa de concertos da cidade.

Martin Luther King havia acabado de falar sobre os direitos civis e o futuro do país e cumprimentou Hillary com um aperto de mãos – ela tinha 15 anos e morava no subúrbio de maioria branca e conservadora da cidade.

Hillary lembra até hoje que o discurso teve um grande impacto em sua vida.

Mas além de King, outro pastor também influenciou a então jovem Hillary: Dom Jones, que a encorajou a comparecer no evento com Luther King.

Ela sempre foi metodista e manteve uma longa amizade com Jones até a morte dele, em 2009.

“Ele me ensinou o significado da fé na prática”, disse no velório.

1964: “Garota Goldwater”

Apesar de hoje ser a candidata do partido Democrata, Hillary foi da Juventude Republicana durante a vida escolar e fez campanha para o republican Barry Goldwater.

Ele era senador no Arizona e conhecido como “Senhor Conservador”, autor do tratado A Consciência de um Conservador.

Atribui-se a ele a formação da agenda do ex-presidente e ícone republicano Ronald Reagan, que ajudou a definir grande parte da atual corrente de pensamento do partido.

Hillary era muito nova para votar, mas escreveu anos depois que se sentiu atraída pelo “individualismo áspero” da plataforma de Goldwater.

“Eu não nasci uma democrata”, disse.

1969: Universidade de Wellesley — a mudança de lados

As alianças políticas de Hillary mudaram na época da faculdade. Ela chegou a perguntar a Dom Jones se era possível “ser uma conservadora na mente e ter um coração liberal”.

Na formatura em 1969, sua posição politica já havia se solidificado. Em um discurso aos colegas em Wellesley, chegou a ofuscar o principal orador — o senador Edward Brooke — com uma fala sentimental que chamou atenção do país todo.

Quando ela entrou na escola de Direito na Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, e conheceu um então jovem liberal do Estado de Arkansas chamado William Jefferson Clinton, Hillary já havia se distanciado da corrente política que marcou sua juventude.

Naquele momento, ela já era uma democrata.

1972: Campanha para McGovern

Em Yale, Hillary e Bill se tornaram rapidamente inseparáveis. Foi nesse período que eles alugaram a primeira casa juntos, em New Haven, Connecticut.

Ali foi início da longa jornada política que eles realizaram juntos. Na época, o candidato democrata à Presidência era George McGovern, um crítico ferrenho da ação militar americana no Vietnã que já estava no sétimo ano e já havia tirado milhares de vidas.

No meio dos estudos, Hillary e Bill resolveram apoiar McGovern e mesmo quando decidiram se mudar temporariamente para o Texas para assumir compromissos de campanha, nunca lhes pareceu como uma batalha que pudesse ser vencida.

1974 Watergate: a investigação de um presidente

Em janeiro, Hillary estava em Arkansas com Bill quando o telefone tocou. Era um velho conhecido oferecendo a eles um trabalho que poderia impulsionar a carreira dos dois.

Uma invasão no escritório do Comitê Nacional do Partido Democrata conseguiu informações e desvendou um esquema de corrupção que levava diretamente ao presidente. Dois anos depois da vitória arrebatadora nas urnas, Richard Nixon enfrentou a desgraça. John Doar foi nomeado para chefiar as investigações do impeachment e era ele do outro lado do telefone.

Bill havia sido nomeado para ser candidato a governador, e negou a proposta. Mas Hillary aceitou e com apenas 26 anos se uniu a um grupo de advogados para acumular provas que levaram ao segundo impeachment de um presidente dos Estados Unidos na história.

11 de outubro de 1975: Casamento no Arkansas

Depois da renúncia de Nixon, Hillary se dividiu um pouco sobre o que fazer em seguida. As perspectivas eram melhores em Washington, mas ela amava Bill. E Bill estava no Arkansas.

Ela decidiu então aceitar um emprego como professora de Direito da Universidade de Arkansas, onde ele também trabalhava depois de ter perdido a eleição para governador de 1974 por 6 mil votos.

Hillary já havia negado vários pedidos de casamento de Bill até aquele momento, mas quando ele perguntou novamente, ela finalmente disse “sim”.

Eles se casaram na sala de casa em outubro de 1975, e a cerimônia foi celebrada por Vic Nixon, um ministro metodista que trabalhou na campanha de Bill.

Hillary usou um vestido que comprou com a mãe na noite anterior ao casamento. A filha deles, Chelsea, nasceu cinco anos depois, em 1980.

Michelle Obama faz primeira aparição em campanha e apoia Hillary Clinton

José Romildo, da Agência Brasil

Michelle Obama faz primeira aparição em campanha e apoia Hillary Clinton (Foto: Reprodução/Instagram)
Michelle Obama faz primeira aparição em campanha e apoia Hillary Clinton
(Foto: Reprodução/Instagram)

A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, fez nesta quinta-feira (27) sua primeira aparição em comícios da corrida eleitoral para eleger o próximo presidente dos Estados Unidos, em eleições marcadas para 8 de novembro de 2016. Michelle, que apareceu ao lado da candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, em Winston-Salem, no estado da Carolina do Norte, é hoje uma das personalidades mais admiradas pelos norte-americanos.

Hillary Clinton disse, em seu discurso, que a “dignidade e respeito pelas mulheres e meninas também está nas urnas nesta eleição”, em uma referência ao candidato do Partido Republicano, Donald Trump, que vem sendo acusado de assédio sexual por dez mulheres. Hillary também se referia a uma conversa de Trump, gravada em um vídeo de 2005, em que ele usa palavras grosseiras em relação às mulheres.

A candidata do Partido Democrata elogiou a participação da mulher do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no comício dos democratas. “Michelle veio para trabalhar duro, para manter-se fiel aos nossos valores e para nos lembrar que nunca devemos parar de lutar por aquilo em que acreditamos”, disse Hillary. “Ela passou oito anos como nossa primeira-dama incentivando as meninas ao redor do mundo a ir à escola”, acrescentou Hillary sobre o trabalho de Michelle Obama. E concluiu:  “Sério! Existe alguém mais inspiradora do que Michelle Obama?”.

Conhecida por sua aversão a campanhas eleitorais, Michelle Obama raramente participa de eventos públicos partidários. Durante a campanha deste ano, ela limitou-se a fazer um discurso, em horário nobre, durante a Convenção Nacional do Partido Democrata, em julho.

Michelle também é autora da seguinte frase: “Enquanto eles vão por baixo, nós vamos pelo alto”. A expressão foi uma dura crítica aos republicanos que constantemente atacavam a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton. A afirmação virou bordão e é constantemente usada nos discursos de Hillary Clinton.

A participação de Michelle Obama em comícios do Partido Democrata ocorre em um momento crucial da campanha: o partido está tentando arregimentar o maior número possível de eleitores para a votação antecipada. A votação antecipada é uma regra eleitoral norte-americana que permite que o eleitor envie seu voto pelo correio ou compareça a um local previamente determinado para votar. Muitas pesquisas de intenção de votos que colocam Hillary Clinton à frente de Donald Trump incluem esses votos antecipados.

Pesquisas
Ao participar de um programa na rede de televisão Fox News, Donald Trump disse que as pesquisas que mostram Hillary Clinton como a favorita para ganhar as eleições “estão fraudadas”. Em outro comício em Geneva, no estado de Ohio, Trump disse que as eleições deveriam ser canceladas para atribuir a ele, e não a Hillary Clinton, a vitória eleitoral.

“Sou bom [candidato], mas as pessoas ficam com raiva [de ouvir isso], por isso só vou dizer quando ganharmos em 8 de novembro”, disse Donald Trump em discurso.

Durante o discurso de Donald Trump, o jornal britânico The Guardian fez uma enquete informal entre as pessoas presentes para saber o que elas achavam das pesquisas que apontavam Hillary Clinton na liderança da corrida eleitoral. Segundo o jornal, as 18 pessoas entrevistadas não acreditam no resultado dos levantamentos. Todas creem firmemente que as pesquisas são manipuladas e não confiáveis e que, por isso, Donald Trump não deve abandonar a campanha.

Embraer admite propina e faz acordo de US$ 206 milhões no Brasil e EUA

Contratos com irregularidades foram feitos para a venda do avião militar Super Tucano (Foto: Divulgação / Embraer)
Contratos com irregularidades foram feitos para a venda do avião militar Super Tucano (Foto: Divulgação / Embraer)

G1 – A Embraer pagará cerca de US$ 206 milhões a governo brasileiras e norte-americanas para encerrar acusações envolvendo o pagamento de propina e práticas irregulares em negócios fechados na República Dominicana, Arábia Saudita, Moçambique e Índia.

A fabricante de aeronaves não especificou quanto será pago a cada país, mas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que, só no Brasil, será paga uma multa de R$ 64 milhões para encerrar a investigação no órgão e no Ministério Público Federal (MPF).

O acordo foi firmado em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) comum aos dois órgãos. A informação foi confirmada pela Embraer.

Segundo a CVM, a Embraer reconheceu que pagou propinas de US$ 5,97 milhões  para funcionários públicos da República Dominicana, da Arábia Saudita e de Moçambique em três contratos de compra e venda de aeronaves em 2007, 2008 e 2010.

A empresa também admitiu, segundo a CVM, que contratou representante comercial para atuar na venda de aviões militares na Índia, o que é proibido pelas leis do país. Para driblar a questão, a empresa “ocultou (a contratação), mediante contrato ideologicamente falso, celebrado, na aparência, com pessoa jurídica interposta (diversa do representante comercial) e relativo, aparentemente, à venda de aeronaves comerciais”.

Denúncia
A investigação na CVM começou em setembro de 2014, quando o MPF enviou ao órgão regulador uma denúncia apresentada contra funcionários da Embraer sobre o pagamento de propina no contrato de venda de oito aeronaves Super Tucano, o avião militar da Embraer, para a República Dominicana. O negócio foi fechado por US$ 92 milhões em 2008.

Esse contrato também é alvo de investigações nos Estados Unidos, tanto no Departamento de Justiça americano quanto na Securities and Exchange Commission (SEC), órgão equivalente à CVM no país. A Embraer poderá ser multada nos Estados Unidos.

As investigações foram ampliadas e passaram a contemplar também negócios da Embraer em Moçambique, na Arábia Saudita e na Índia.

Em março, uma reportagem do Wall Street Journal relatou que o alto escalão da Embraer, incluindo o ex-presidente da companhia Frederico Curado, sabiam e autorizaram o pagamento de propinas no contrato da República Dominicana. A reportagem cita trechos de declarações do consultor de vendas Elio Moti Sonnenfeld.

A Embraer anunciou em junho a substituição de Curado, que permaneceu por nove anos no cargo, pelo presidente da divisão de jatos comerciais Paulo Cesar de Souza e Silva. Na época, a empresa disse que a transição já estava prevista.

Em comunicado, a Embraer confirmou as informações. “A Embraer reconhece responsabilidade pelos atos de seus funcionários e agentes, conforme os fatos apurados. A empresa lamenta profundamente o ocorrido”, disse o comunicado. A empresa ainda disse que “aprendeu e evoluiu com essa experiência” e “dará continuidade à sua trajetória de sucesso reconhecida ao longo dos seus quase 50 anos de existência”.

Ministro envolvido em escândalo de doping na Rússia é promovido

Vitaly Mutko (RUS) Minister of Sport of the Russian Federation. 12.10.2014. Formula 1 World Championship, Rd 16, Russian Grand Prix, Sochi Autodrom, Sochi, Russia, Race Day.  - www.xpbimages.com, EMail: requests@xpbimages.com - copy of publication required for printed pictures. Every used picture is fee-liable. © Copyright: Price / XPB Images
Vitaly Mutko, ministro dos esportes da Federação Russa (Foto:  XPB Images

O ministro russo do Esporte, Vitaly Mutko, foi nomeado pelo presidente Vladimir Putin como novo vice-premier do Esporte, Turismo e Políticas para os Jovens nesta quarta-feira (19). Para seu lugar, foi promovido o então vice-ministro, Pavel Kolobkov. As informações são da Agência Ansa.

Mutko foi acusado pela Agência Mundial Antidoping (Wada) de ser o “chefe” do esquema “sistêmico e de Estado” de doping dos atletas russos. Ele sempre negou as acusações, que classificada de “absurdas”.

Por causa do escândalo de doping, a Federação Russa de Atletismo está suspensa de competições internacionais há quase um ano e grande parte da delegação olímpica do país foi impedida de competir nos Jogos Rio 2016. Já os atletas paralímpicos foram proibidos de vir ao Brasil para as Olimpíadas.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2016-10/ministro-envolvido-em-escandalo-de-doping-na-russia-e-promovido

Temer diz que redução no preço da gasolina não elevará imposto

Temer dá entrevista para jornalistas brasileiros em hotel de Goa, na Índia (Foto: Beto Barata/PR)
Temer dá entrevista para jornalistas brasileiros em hotel de Goa, na Índia (Foto: Beto Barata/PR)

G1 – O presidente Michel Temer disse neste sábado (15), em entrevista à imprensa brasileira na Índia, que a redução do preço da gasolina e do óleo diesel anunciada pela Petrobras não vai resultar em aumento da Cide, contribuição que incide sobre combustíveis. Segundo ele, o governo quer evitar alta não só na Cide, como em qualquer tipo de tributo.

Ele deu a declaração ao ser questionado se haveria, com a queda no preço dos combustíveis, espaço para uma elevação da Cide. Temer negou essa possibilidade e disse que a PEC do teto de gastos públicos, aprovada em 1º turno na Câmara esta semana, tem como um dos objetivos evitar aumento na carga tributária.

“A Cide não, não há nenhuma previsão neste momento para esta espécie. Aliás, quando nós pensamos no teto dos gastos públicos, nós pensamos exatamente na possibilidade de evitar qualquer tributação […] E nós tentamos evitar, estamos tentando evitar o quanto possível qualquer espécie de nova tributação. Especialmente a CPMF, e confesso que a Cide é a primeira vez que eu ouço”, afirmou o presidente.

O anúncio do corte dos preços pela Petrobras levou a especulações em torno da Cide, especialmente para compensar o setor sucroalcooleiro, cujo etanol perde competitividade com a gasolina mais barata.

Especialistas apontam que o governo poderia aproveitar uma redução dos preços na refinaria para retomar a cobrança da Cide. O tributo foi zerado em 2012 justamente para atenuar o impacto do aumento do preço da gasolina.

O preço da gasolina comum para os consumidores é formado pela seguinte proporção: 31% são os custos de operação da empresa para produzir o combustível, 10% são impostos da União (Cide, PIS/Cofins), 28% são impostos estaduais (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS), 15% é o custo do etanol adicionado à gasolina e 16% se refere à distribuição e revenda.

Temer falou com jornalistas após um almoço oferecido pela Federação das Indústrias do Estado Rio de Janeiro (Firjan) na cidade indiana de Goa, onde ocorrerá encontro de cúpula dos países que formam os Brics (Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul).

Na noite deste sábado, na Índia, Temer participou de um jantar informal com os líderes dos Brics, o presidente Xi Jingping (China), o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o presidente russo, Vladimir Putin e com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. (Veja a foto mais abaixo nessa reportagem).

Ainda enquanto comentava sobre a redução no preço dos combustíveis, Temer disse que foi informado pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente, que a empresa vai se basear nos preços internacionais para definir o valor do combustível nas refinarias do país.

“O presidente Pedro Parente me ligou anteontem, haveria uma reunião da diretoria logo em seguida, no final da tarde, e ele me antecipou que muito possivelmente haveria uma redução do valor do óleo diesel e da gasolina. Mas, evidentemente, que isto estava vinculado, dizia ele, ao mercado internacional. Portanto, haverá uma avaliação a cada mês ou a cada dois meses, tendo em vista o mercado internacional”, disse Temer.

Inflação
O mercado aposta que a decisão da Petrobras deve levar o Comite de Política Monetária (Copom) do Banco Central a reduzir a taxa básica de juros na próxima reunião, marcada para a semana que vem. Isso porque, com a redução dos preços, o impacto sobre a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), será menor.

A taxa básica de juros, a Selic, é uma das principais ferramentas do Banco Central para controlar a inflação. O objetivo do BC é que a inflação fique dentro da meta, de 4,5% ao ano, com possibilidade de variar dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Quando o juro sobe, o dinheiro fica mais caro e o consumo tende a cair, o que derruba os preços da economia como um todo. Quando a inflação está sob controle, há, portanto, espaço para reduzir o juro.

Agenda
No domingo, o presidente dedicará a agenda aos encontros da cúpula, que terá como objetivos neste ano “institucionalização do bloco”; “implementação de decisões de encontros anteriores”; “integração entre mecanismos existentes”; “inovação de acordos”; e “continuidade de atos”.

Após participar da cúpula, Temer terá a chamada reunião bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Há uma previsão de que os dois almocem juntos e assinem atos de cooperação entre o Brasil e a Índia nas áreas agrícola e ambiental.

Na última terça (11), o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, afirmou que a visita de Temer a Narendra Modi tem como objetivo “reforçar a presença brasileira na Ásia”.

Parola disse ainda que a reunião do Brics é uma oportunidade de o presidente Temer mostrar “o novo Brasil” que, segundo ele, o governo está construindo, com “maior credibilidade e responsabilidade fiscal”.

Temer e Marcela são recepcionados, na base aérea de Goa, pelo general Vilay Kumar Singh, ministro indiano para Assuntos Externos (Foto: Beto Barata/PR)
Temer e Marcela são recepcionados, na base aérea de Goa, pelo general Vilay Kumar Singh, ministro indiano para Assuntos Externos (Foto: Beto Barata/PR)

Japão
Encerrada a agenda na Índia, Temer seguirá, na noite do dia 17, para Tóquio, capital do Japão, onde deverá desembarcar na terça (18), e terá, ao longo do dia, reuniões na embaixada brasileira na cidade.

Esta será a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao país asiático em 11 anos. Em novembro de 2015, a então presidente Dilma Rousseff chegou a marcar uma viagem ao país, mas a cancelou, o que gerou um mal-estar diplomático.

Para o dia 19, estão previstos na agenda do presidente uma reunião com o imperador Akihito, no Palácio Imperial, e um almoço com empresários brasileiros e japoneses (no qual Temer buscará atrair investimentos estrangeiros).

Já no dia 20, último dia da viagem internacional, Temer deverá se reunir com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para, em seguida, embarcar de volta ao Brasil. A previsão é que o presidente chegue a Brasília na sexta (21).

Michel Temer antes de jantar na Índia com líderes dos Brics, Xi Jingping (China), Vladimir Putin (Rússia),  Narendra Modi (Índia) e Jacob Zuma (África do Sul).  (Foto: Foto: PRAKASH SINGH / AFP))
Michel Temer antes de jantar na Índia com líderes dos Brics, Xi Jingping (China), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Jacob Zuma (África do Sul). (Foto: Foto: PRAKASH SINGH / AFP))

Michel Temer na Índia (Foto: PRAKASH SINGH / AFP)
Michel Temer antes de jantar na Índia com líderes dos Brics, Xi Jingping (China), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Jacob Zuma (África do Sul). (Foto: PRAKASH SINGH / AFP)

Temer lamenta morte de Shimon Peres e cita “luta pela paz”

Michel Temer: presidente brasileiro lamentou a morte de Shimon Peres, prêmio Nobel da Paz
Michel Temer: presidente brasileiro lamentou a morte de Shimon Peres, prêmio Nobel da Paz

Exame.Abril

O líder brasileiro, Michel Temer, lamentou nesta quarta-feira a morte do ex-presidente de Israel e prêmio Nobel da paz Shimon Peres e afirmou que “sua luta pela paz permanecerá como seu mais importante legado para a Humanidade”.

Peres, um dos mais reconhecidos líderes do Estado de Israel desde sua fundação em 1948, faleceu aos 93 anos na cidade de Tel Hashomer, duas semanas após ter sofrido um acidente vascular cerebral.

Em mensagem divulgada em sua conta no Twitter, Temer lamentou a morte de Peres, e lembrou que o conheceu em 2013, durante uma visita a Israel.

92% da população mundial respira ar inadequado, adverte OMS

Poluição: especialistas esperam poder alentar os Estados a realizar mais esforços para reduzir a contaminação do ar
Poluição: especialistas esperam poder alentar os Estados a realizar mais esforços para reduzir a contaminação do ar

Exame.Abril

Ao menos 92% dos habitantes do planeta vivem em locais onde a qualidade do ar não se enquadra nos padrões fixados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), adverte um relatório do órgão.

“É necessário, de forma urgente, a adoção de medidas para se enfrentar a contaminação do ar”, afirma Maria Neira, diretora do departamento de Saúde Pública da OMS.

“Existem soluções, como um transporte sustentável nas cidades, a gestão dos rejeitos sólidos e a utilização de cozinhas e combustíveis limpos nas residências, assim como o uso de energias renováveis e a redução das emissões industriais”.

No relatório baseado em dados provenientes de mais de 3 mil locais – rurais e urbanos – a OMS conclui que 92% da população mundial vive onde os níveis da qualidade do ar não correspondem ao padrão em relação a partículas finas em suspensão, de menos de 2,5 micrômetros.

Estas partículas “incluem contaminantes como os sulfatos, os nitratos e a fuligem, que penetram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, o que representa um risco grave para a saúde humana”.

O organismo detectou que os níveis de contaminação são especialmente elevados no Mediterrâneo oriental, no Sudeste Asiático e no Pacífico Ocidental.

A OMS identifica como principais causadores da má qualidade do ar “os modos ineficientes de transporte, a queima de combustível nas residências e de rejeitos, as centrais elétricas e as atividades industriais”, mas também cita como fatores fenômenos naturais, como as tempestades de areia.

Graças aos novos dados existentes, os especialistas esperam poder alentar os Estados a realizar mais esforços para reduzir a contaminação do ar, especialmente após os líderes mundiais fixarem – em setembro de 2015 – como objetivo reduzir as mortes ligadas a esta ameaça até 2030.

A OMS estima que a cada ano cerca de 3 milhões de mortes estão relacionadas à exposição de agentes contaminantes no ar. Segundo os dados da organização em 2012, cerca de 6,5 milhões de mortes em todo o mundo, equivalentes a 11,6% do total, estiveram ligadas à contaminação do ar.

Estas mortes são provocadas especialmente por doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais pneumopatia obstrutiva crônica e câncer de pulmão, assinala a ONU, advertindo que a contaminação do ar também aumenta o risco de infecções respiratórias agudas.

Segundo a organização, cerca de 90% destas mortes ocorrem em países de renda média ou baixa, com dois a cada três óbitos em regiões do sudeste asiático e do Pacífico ocidental.

Temer embarca para Brasil após reunião com vice dos EUA

Temer: na reunião, segundo assessores de Temer, Biden o cumprimentou pela posse e o brasileiro agradeceu o apoio manifestado pelo governo americano após o impeachment
Temer: na reunião, segundo assessores de Temer, Biden o cumprimentou pela posse e o brasileiro agradeceu o apoio manifestado pelo governo americano após o impeachment

Por Altamiro Silva Junior e Claudia Trevisan, do Estadão Conteúdo / Exame.Abril.com

Nova York – O presidente Michel Temer embarcou por volta das 18h (de Brasília) do aeroporto de Nova York para Brasília. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ficou na cidade, mas não tem agenda oficial e retorna ao Brasil nesta quinta-feira, 22, pela manhã.

Dos ministros que acompanharam o presidente na viagem para Nova York, o das Relações Exteriores, José Serra, ficou na cidade, onde ainda tem reuniões agendadas por conta da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Já o ministro das Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, do Meio Ambiente, Sarney Filho, da Justiça, Alexandre de Moraes, e o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, embarcaram com Temer.

Um dos últimos compromissos oficiais de Temer em Nova York foi uma reunião com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que durou mais de uma hora.

Na reunião, segundo assessores de Temer, Biden o cumprimentou pela posse e o brasileiro agradeceu o apoio manifestado pelo governo norte-americano após o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A próxima viagem internacional do presidente brasileiro deve ocorrer na próxima segunda-feira, 26, para a Colômbia. Temer vai participar da cerimônia do acordo de paz entre a Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A solenidade, que ocorrerá na cidade de Cartagena de Índias, coloca fim a 50 anos conflitos armados no país.

Cerimônias em Nova York e na Casa Branca lembram os 15 anos dos atentados de 11/9

Cerca de 3 mil pessoas foram mortas em Nova York, na Pensilvânia e no Pentágono (foto: SETH MCALLISTER/AFP)
Cerca de 3 mil pessoas foram mortas em Nova York, na Pensilvânia e no Pentágono (foto: SETH MCALLISTER/AFP)

Uma cerimônia em Nova York neste domingo reunirá milhares de parentes das vítimas e outras pessoas na praça memorial, reconstruída onde estavam localizadas as torres do World Trade Center, para lembrar das vítimas do atentado terrorista que ocorreu há 15 anos no dia 11 setembro.

O evento no National Memorial & Museum incluirá uma leitura de nomes das pessoas mortas nos ataques de 2001. Os leitores dos 2.983 nomes incluem famílias daqueles que foram mortos. Cerca de 3 mil pessoas foram mortas em Nova York, na Pensilvânia e no Pentágono em um ataque reivindicado pelo então líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, que foi morto quase 10 anos depois durante uma incursão em maio de 2011 em seu esconderijo no Paquistão.

Está prevista para acontecer na cerimônia seis momentos de silêncio, cada um cronometrado para acontecer no horário dos ataques do dia 11 de setembro. Às 8h46 no horário local (9h46 de Brasília), o primeiro minuto de silêncio vai marcar o momento em que o primeiro avião atingiu a Torre Norte. Às 9h03 no horário local (10h03 de Brasília), mais um momento de silêncio vai marcar o segundo avião atingiu a Torre Sul.

O terceiro minuto silêncio vai lembrar quando a torre sul caiu, e o quarto momento de silêncio, quando o vôo 93 caiu perto de Shanksville, na Pensilvânia. Às 10h28 (11h28 de Brasília), o último minuto de silêncio será em memória da queda da Torre Norte.

Outros eventos estão previstos para acontecer em toda Nova York neste domingo. Em uma tradição anual, espera-se que os bombeiros marchem através da ponte de Brooklyn em torno das 10h (11h de Brasília), carregando 24 bandeiras representando os bombeiros do 57º Batalhão do Brooclyn que morreram em 11 de setembro de 2001.

A procissão vai acabar na Catedral de St. Joseph, no bairro de Prospect Heights, no Brooklyn, onde uma missa será celebrada ao meio-dia (13h de Brasília) para homenagear as vítimas dos ataques, de acordo com a diocese de Brooklyn.

O National Memorial & Museum também está planejando o que chamou de “Tributo de Luz”, uma instalação de arte que cria duas vigas verticais de luz azul na parte baixa de Manhattan. As luzes estão programadas para começar no por do sol em 11 de setembro e continuar até o amanhecer do dia 12 de setembro, de acordo com o museu.

O presidente dos EUA, Barack Obama, também prestará homenagens e minutos de silêncio na Casa Branca nos horários em que os aviões atingiram as torres. Mais tarde, Obama fará um discurso em homenagem às vítimas no Pentágono. Fonte: Dow Jones Newswires.

De http://www.em.com.br/

A incrível confissão que pôs fim ao mistério do desaparecimento de um menino há 27 anos

O sumiço de Jacob Wetterling em 1989 fez com que os Estados Unidos mudassem as leis de registro de criminosos sexuais (Foto: Familia Wetterling)
O sumiço de Jacob Wetterling em 1989 fez com que os Estados Unidos mudassem as leis de registro de criminosos sexuais (Foto: Familia Wetterling)

G1 – Jacob Wetterling, de 11 anos, foi sequestrado quando andava de bicicleta na zona rural de Minnesota, nos EUA. Vinte sete anos depois de seu desaparecimento, seu corpo foi encontrado e o assassino, um pedófilo que colecionava pornografia infantil, confessou o crime.

Desde que Jacob foi levado por um homem mascarado e armado, em outubro de 1989, ninguém nunca havia sido preso ou processado pelo crime. Seu desaparecimento, contudo, causou grande comoção no Estado e provocou mudanças nas leis de registro de criminosos sexuais nos EUA.

Danny Heinrich, de 53 anos, inicialmente havia sido identificado pela polícia como “uma pessoa de interesse”, que poderia ajudar a desvendar o sequestro de Jacob, cujo corpo foi localizado no fim de semana.

Danny Heinrich, de 53 anos, confessou ter sequestrado, abusado e matado Jacob enquanto era julgado por manter em casa uma coleção de imagens de pornografia infantil  (Foto: AP)
Danny Heinrich, de 53 anos, confessou ter sequestrado, abusado e matado Jacob enquanto era julgado por manter em casa uma coleção de imagens de pornografia infantil (Foto: AP)

Nesta terça-feira (6), durante um julgamento em que respondia a acusações de possuir imagens de pornografia infantil, Heinrich confessou ter sequestrado e matado o garoto.

Ele revelou detalhes de como levou, abusou e matou Jacob. Ele também se declarou culpado pela outra acusação.

A confissão
A imprensa local descreveu o depoimento de Heinrich como “estarrecedor”.

Diante de um juiz e de um auditório lotado, onde estavam presentes os pais de Jacob, Heinrich, ao ser perguntado se tinha alguma relação com o crime ocorrido há 27 anos, decidiu contar como tudo aconteceu.

Jacob andava de bicicleta com o irmão e um amigo numa estrada da zona rural próximo onde morava, no Minnesota. Usando uma máscara e armado com um revólver, Heinrich abordou os três garotos. O agressor pegou Jacob e mandou os outros dois garotos correrem sem olhar para trás.

Enquanto os meninos fugiam, ele algemou Jacob e o colocou no carro.

“O que eu fiz de errado?”, perguntou Jacob, enquanto era levado pelo sequestrador. Ele foi abusado sexualmente num local próximo à casa do agressor que, à época, vivia com o pai.

Heinrich contou que entrou em pânico quando viu as luzes e ouviu as sirenes dos carros da polícia, que passaram próximo ao local onde ele molestou o garoto. Enquanto carregava o revólver, disse a Jacob que voltaria logo.

Em vez de sair, Heinrich atirou no menino. De acordo com o jornal americano Washington Post, foram três tiros. O primeiro falhou. O segundo acertou atrás da cabeça e um terceiro tiro levou em definitivo a vida do garoto.

Ele foi enterrado pelo próprio Heinrich a menos de 100 metros do local onde foi morto.

Ainda segundo a imprensa norte-americana, um ano depois do crime, o assassino notou que a jaqueta vermelha de Jacob estava à vista. Ele decidiu desenterrar os restos mortais do garoto e os escondeu novamente numa fazenda próxima.

Suspeito desde o início
Desde o desaparecimento de Jacob, Heinrich sempre esteve no radar dos investigadores. Ele chegou a ser interrogado logo após o sequestro, mas a polícia norte-americana nunca encontrou evidências suficientes para incriminá-lo.

O caso, contudo, nunca foi arquivado. Em 2014, a polícia revisou outro crime que travava de agressão sexual contra uma criança de 12 anos. Esse segundo caso ocorreu nove meses antes do desaparecimento de Jacob e havia suspeitas de que estavam conectados.

Usando uma tecnologia que não estava disponível em 1989, os pesquisadores descobriram o DNA de Heinrich em uma camiseta da vítima. Com isso, conseguiram um mandado de busca para a casa do homem, onde encontraram uma grande coleção de pornografia infantil.

Os investigadores detiveram Heinrich, indiciando-o por posse de pornografia infantil – uma vez que o caso de abuso sexual aos garoto de 12 anos já havia prescrito.

Após sua prisão, em outubro de 2015, os promotores tentaram negociar com Heinrich por vários meses para tentar obter informações sobre o sumiço de Jacob. Há dez dias, ele finalmente decidiu colaborar e levou os investigadores ao local onde os restos mortais da criança foram encontrados.

No sábado, passados quase 28 anos do desaparecimento de Jacob, veio a confirmação de que ele tinha sido morto. A polícia anunciou que os restos da criança foram encontrados e identificados por peritos.

“Nossos corações estão partidos”, afirmou a mãe de Jacob, Patty Wetterling, numa mensagem de texto enviada à emissora de televisão local na qual confirmou que o corpo do filho foi encontrado.

Segundo o Washington Post, a confissão no tribunal na terça-feira fazia parte do acordo feito com a promotoria, que prevê que ele cumprirá pena em uma localidade em que “não correrá o mesmo perigo como criminoso condenado por crimes sexuais”.

Ainda como parte do acordo, segundo o Start-Tribune de Minneapolis, ele não será indiciado pela morte de Jacob, apenas por possuir pornografia infantil, e sua pena máxima é de 20 anos. A sentença será anunciada em novembro.

Caso que fez história
O desaparecimento de Jacob marcou a infância de muitos na zona rural de Minnesota. Não apenas mudou a forma como os pais deixam seus filhos brincar livremente e também teve impacto sobre leis americanas.

A mãe do garoto, Patty Wetterling, passou a participar de eventos de parentes de desaparecidos e a militar na área de proteção de crianças e adolescentes. Em 1991, cerca de dois anos depois do sequestro de Jacob, uma lei estadual foi criada para fornecer às autoridades uma lista completa de criminosos sexuais que vivem em Minnesota.

Jerry e Patty Wetterling, pais de Jacob, mostram foto do garoto tirada pouco antes dele ser sequestrado em 1989  (Foto: AP)
Jerry e Patty Wetterling, pais de Jacob, mostram foto do garoto tirada pouco antes dele ser sequestrado em 1989 (Foto: AP)

Em seguida, em 1994, o Congresso americano aprovou uma lei ordenando cada Estado a criar um registro similar, com o nome dos criminosos sexuais.

Durante anos, o rosto de Jacob apareceu em inúmeros cartazes. Uma vez por ano, moradores de Minnesota eram convidados a acender as luzes na entrada de suas casas para pedir pelo retorno do garoto.

A mãe de Jacob, que sempre manteve as esperanças de um dia encontrar o filho com vida, fundou uma associação que ajuda famílias e comunidades a protegerem crianças. A entidade ganhou o nome de Jacob Wetterling e, no sábado, publicou em sua página da internet uma declaração dizendo estar “profundamente triste”.

“É incrivelmente doloroso saber como foram os últimos dias, horas e minutos dele”, disse a mãe de Jacob, depois da audiência judicial.

“Para nós, Jacob estava vivo até o encontrarmos”, completou.

G20 começa com esperança de reativar crescimento mundial

G20: o evento reúne as 19 principais economias mundiais (industrializadas e emergentes)
G20: o evento reúne as 19 principais economias mundiais (industrializadas e emergentes)

Exame.Abril – Os líderes do G20 se reúnem neste domingo na China com o objetivo de reativar a deprimida economia mundial, embora as reticências de muitos países diante da globalização e das tensões territoriais da China ofusquem a cúpula.

Pequim quer projetar uma imagem de grande potência, segura de si mesma e consolidada como segunda economia mundial.

A cúpula começou com bons presságios no sábado, com o anúncio do presidente chinês, Xi Jinping, e do americano, Barack Obama, de ratificar o histórico tratado do clima de Paris, que pode encorajar outros países e acelerar sua entrada em vigor.

A cúpula é realizada na turística Hangzhou, convertida em cidade fantasma durante o encontro devido à decisão das autoridades de dar férias forçadas a um quarto da população e manter, assim, uma segurança máxima.

Também fecharam as fábricas de toda a região para garantir um céu limpo e sem poluição durante o fórum.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que recebeu das mãos de Obama e Xi os documentos oficiais da ratificação, ressaltou neste domingo que se trata de um “passo histórico” na luta contra as mudanças climáticas.

No entanto, não são esperados grandes progressos durante a cúpula nesta e em outras questões chave, como o frágil crescimento mundial, em um contexto de recuo e rejeição à globalização em muitos países do mundo.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, já havia advertido na semana passada que o mundo enfrenta uma mistura explosiva de crescimento fraco no longo prazo e aumento de desigualdades, o que fomenta o nacionalismo e as barreiras ao livre comércio.

O G20 reúne as 19 principais economias mundiais (industrializadas e emergentes), além da União Europeia, um fórum que representa 85% do PIB mundial e dois terços da população do planeta.

Em Hangzhou os problemas geopolíticos, incluindo a guerra na Síria ou as tensões no mar da China Meridional, podem deixar de lado as questões econômicas.

A China tenta evitar a questão de suas ambições neste mar, mas seus vizinhos estão preocupados pela recente construção na região de infraestruturas, incluindo pistas de pouso, nos arrecifes ou ilhas reivindicados por Pequim, mas disputados por seus vizinhos.

Tensões entre Obama e Xi

Várias fontes indicaram que Obama e Xi tiveram no sábado durante seu encontro um diálogo tenso sobre esta questão, depois que o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia decidiu em agosto que a China não tem o direito de reivindicar estas águas.

“Os dois líderes tiveram um diálogo franco sobre a recente decisão do tribunal (…) e Obama enfatizou a importância da China cumprir suas obrigações”, indicou a Casa Branca em um comunicado.

Os Estados Unidos já advertiram que continuarão enviando patrulhas perto dos arrecifes e ilhas que a China reivindica para defender o princípio da liberdade de navegação, um anúncio que não agrada Pequim.

Xi pediu que os Estados Unidos tenham um “papel construtivo para manter a paz e a estabilidade no mar da China Meridional”, indicou a agência oficial Xinhua.

Os dois países estão dispostos a evitar o conflito em Hangzhou. Uma cúpula bem-sucedida reforçaria Xi em nível internacional, mas também dentro da China, onde nos próximos meses serão realizadas reuniões chave do Partido Comunista.

Apesar disso, no sábado foram registradas cenas de tensão na chegada de Obama ao aeroporto, quando os responsáveis pela segurança chineses tentaram afastar os jornalistas e os membros da delegação americana.

“Este é nosso país, é nosso aeroporto!”, gritou visivelmente irritado um dos responsáveis chineses a uma funcionária da Casa Branca, segundo um vídeo divulgado nas redes sociais.