Dez anos após 1º leilão, Rio Grande do Norte prevê geração de energia eólica no mar

Copel inaugurou novos parque eólico no Rio Grande do Norte em 2019 — Foto: Divulgação

Em 2009, o Brasil fez o primeiro leilão para geração de energia por meio dos ventos. Naquela ocasião, o Rio Grande do Norte foi a unidade da federação que mais teve projetos contratados – um total de 23. Passados dez anos, os investimentos do setor movimentaram aproximadamente R$ 15 bilhões, e o estado consolidou a liderança nacional de produção dessa matriz energética. São 151 parques instalados e mais de 1,5 mil aerogeradores em operação. Mesmo expandindo a produção no interior do RN, o mercado vislumbra um novo horizonte: a possibilidade de gerar energia eólica no mar. O primeiro projeto é da Petrobras.

O estado alcançou a capacidade instalada de 4 gigawatts de produção no mês passado, conforme anunciou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), depois que dois parques da Copel entraram em operação no município de São Bento do Norte. Para se ter uma ideia, apenas 1 GW é suficiente para abastecer entre 1,5 e 2 milhões de pessoas. Embora comemore o marco, o setor avisa que o número continua crescendo a cada novo levantamento.

Além da capacidade atual, já existem pelo menos mais 1,4 GW contratados, cujos parques devem começar a operar até 2023. Segundo o Banco do Nordeste, uma das instituições financeiras públicas que já garantiram um total de R$ 13,3 bilhões em financiamentos para o setor, somente no estado, mais de R$ 2,2 bilhões foram financiados no ano passado. Mais R$ 1 bilhão já está em análise.

Mapa dos parques eólicos no Rio Grande do Norte — Foto: Infográfico: Roberta Jaworski/G1
Mapa dos parques eólicos no Rio Grande do Norte — Foto: Infográfico: Roberta Jaworski/G1

O estado é responsável, sozinho, por quase 30% da capacidade de produção de energia eólica do Brasil – que está no 8º lugar no ranking mundial nessa matriz. Em todo o país, são 14,8 GW em 580 parques, distribuídos por 12 unidades federativas, segundo dados atualizados pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Isso representa 9% de toda a matriz energética nacional – igualada com a biomassa na segunda posição, atrás da hidrelétrica, que é responsável por 60% da energia nacional.

Grande parte desta produção está no Nordeste. Depois do Rio Grande do Norte, o maior produtor é a Bahia, com cerca de 3,6 GW de capacidade, seguido pelo Ceará, com 2 GW.

Evolução da capacidade instalada de produção de energia eólica no Brasil
Dados de 2005 a 2023, considerando-se os contratos já realizados
Megawatts27,127,1235,4235,4606,2606,21.529,41.529,43.478,43.478,45.973,85.973,88.727,78.727,710.741,610.741,612.768,612.768,615.86515.86516.730,716.730,719.388,319.388,3200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022202305k10k15k20k25k
Fonte: Aneel/Abeeólica

O que pode parecer apenas números elevados, porém, significa mudanças para cidades que antes não viam perspectivas de emprego e renda. De acordo com estimativas da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e de entidades ligadas ao setor, cerca de 30 mil empregos foram gerados nesse tempo, especialmente na fase de construção dos parques. Atualmente, ainda existem 8 projetos em construção e as contratações devem continuar porque outros 35 parques eólicos serão erguidos até 2023. Mais dois leilões para contratação de mais energia estão previstos para este ano.

“São mais de 7 mil empregos até lá. Você pega um município com uma renda de R$ 4 ou 5 milhões e, de repente, ele está recebendo R$ 1 ou 2 milhões a mais, só gerado pelo ISS (Imposto Sobre Serviço) pago por esse setor”, aponta Hugo Fonseca, coordenador de Desenvolvimento Energético da Sedec

Hugo afirma que cada parque gera cerca de 200 empregos diretos durante a construção, além dos indiretos. Porém, quando eles entram em operação, as equipes das empresas se reduzem a um número entre 10 e 15 profissionais, que trabalham basicamente na manutenção. Ainda assim, considerando-se 151 parques potiguares, seriam um número próximo de 2 mil pessoas. A produção de energia limpa e renovável também gera renda para grandes e pequenos proprietários de terras, onde as torres são instaladas.

Em 2014, a CPFL instalou 19 aerogeradores na terra do produtor rural Luzivan Venâncio, de 55 anos, em João Câmara. Os cata-ventos, porém, não mudaram apenas o cenário da fazenda; trouxeram renda extra e certa para a família. De acordo com ele, por cada cata-vento, as empresas pagam cerca de R$ 600 a R$ 2000 para os proprietários da área, dependendo do porte das torres e da produção.

“A eólica veio para dar um suporte, porque antigamente a gente plantava, mas tinha ano que não dava nada, perdia a lavoura. Com esse dinheiro a gente fez poços, investiu em irrigação, e isso ajudou muito”, conta ele.

Além dos investimentos na fazenda, onde também são produzidos bois, cabras e porcos, os recursos também foram úteis para na educação dos filhos, que fizeram faculdade em Natal. “É um rendimento que a gente tem certo. O pessoal diz que algumas empresas atrasam, mas nunca recebi nada atrasado, eles pagam certinho”, ressalta.

Fonte: https://g1.globo.com

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