Governo de São Paulo passou 36 dias sem apresentar informações sobre testagens da Covid-19. Por que terá sido?

Profissional colhe amostra de sangue para teste sorológico de Covid-19 em São Paulo — Foto: Divulgação/Governo de SP
Profissional colhe amostra de sangue para teste sorológico de Covid-19 em São Paulo — Foto: Divulgação/Governo de SP

Segundo notícia publicada no G1, o governo de São Paulo, tendo a frente o governador João Dória, passou 36 dias sem dar informações sobre as testagens do coronavírus. Enquanto as instituições privadas, em parceria com o governo federal, continuaram com suas atividade nas testagens para identificar a Coivd-19.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que representa laboratórios que processam cerca de 60% dos exames diagnósticos feitos na rede particular no Brasil, nos primeiros 15 dias de novembro houve um aumento de 30% nos exames de Covid-19 realizados pelos seus associados. Já a taxa de positividade subiu cerca de 25%.


“Desde o final do 1º semestre o número de testes de Covid-19 [realizados na rede particular] foi caindo, de agosto pra final de outubro, e a partir do final de outubro e começo de novembro tem esse salto. Nos últimos 15 dias houve um aumento de 30%. E o aumento da taxa de positividade mostra que esses exames não são feitos apenas por curiosidade ou precaução: são pessoas que tiveram sintomas ou contato com algum caso confirmado”, afirma a diretora.

O grupo Dasa, que reúne laboratórios como Alta, Delboni Auriemo, Lavoisier e Salomão Zoppi e já processou mais de 2,5 milhões de testes de Covid-19 em 900 laboratórios pelo país, percebeu um aumento de 30% nos casos positivos da doença. A taxa de positividade foi de 18,9% em outubro para 27,4% nos primeiros dias de novembro. Em São Paulo, a média móvel na procura por exames também cresceu 30%, entre 10 de outubro e 10 de novembro, de acordo com a rede.

Os laboratórios de São Paulo oferecem duas variedades de teste para coronavírus: o molecular, também chamado de RT-PCR, que localiza o RNA do vírus e detecta sua presença no organismo desde o primeiro dia de contaminação; e o teste rápido, sorológico, que identifica a presença de anticorpos contra o vírus no sangue.

“O PCR é indicado para fase aguda da doença, ou seja, o início dos sintomas, ou desde o contato do vírus até 10 dias depois, e costuma ser feito com pedido médico. Passou de 10 dias da data de contato com o vírus, aí é o sorológico. Entre as empresas associadas, a procura ainda é predominantemente de pessoas que têm pedido médico para o RT-PCR”, afirma Priscilla Franklin Martins, diretora da associação.

rede pública de São Paulo realizou apenas 28% dos testes do tipo RT-PCR feitos no estado desde março de 2020 para diagnosticar casos ativos da Covid-19.

Os dados foram divulgados pelo governo estadual na noite de sábado (21), depois de 36 dias sem informações públicas sobre a testagem em laboratórios particulares e mostram que, ao contrário dos laboratórios particulares, o número de testes realizados vem caindo.

G1SP