Governo tenta reduzir preço do gás natural com abertura de mercado; ENTENDA

Tubulações em plataforma da Petrobras, por onde passam petróleo, gás, água do mar e água dessalinizada — Foto: André Motta/Petrobras  

O governo está discutindo medidas para mudar o mercado de gás natural no Brasil, com o objetivo de baratear os preços. Na prática, a ideia é acabar com o monopólio da Petrobras nessa área, permitindo assim a concorrência entre diversas empresas.

A queda de custo deve atingir principalmente os principais consumidores do gás natural – a indústria e o setor de energia termelétrica. Mas a expectativa do governo é que essa redução seja repassada ao consumidor final.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre o mercado de gás e as mudanças que estão sendo analisadas:

O que é o gás natural?

O gás natural é um combustível fóssil normalmente encontrado em camadas profundas do subsolo, associado (dissolvido) ou não ao petróleo. Ele é extraído por meio de perfurações, tanto em terra quanto no mar. No Brasil, a maior parte da produção é associada ao petróleo.

O gás natural é usado como combustível no transporte e nas usinas termelétricas, bem como fonte de energia em casas, fábricas e estabelecimentos comerciais. Também pode ser convertido em ureia, amônia e outros produtos usados como matéria-prima em diversas indústrias.

Quanto o Brasil produz?

Segundo o dado mais recente da ANP, em abril o país produziu 113 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural. Em todo o ano de 2018, foram produzidos 40,8 bilhões de metros cúbicos, uma média diária de 111 milhões de metros cúbicos ao dia – o que representa aumento de 1% na comparação com 2017.

Onde ele é usado? Por quem?

A grande consumidora de gás natural no país é a indústria, que usa 52% do total produzido. As fábricas utilizam o gás como combustível para fornecimento de calor e geração de eletricidade, mas também como matéria-prima nos setores químico e petroquímico, principalmente para a produção de metanol e de fertilizantes. É usado ainda como redutor siderúrgico na fabricação de aço.

Kit de gás natural veicular — Foto: Reprodução EPTV
Kit de gás natural veicular — Foto: Reprodução EPTV 

Em seguida, com 33%, está o setor de geração elétrica, com as termelétricas. Depois vem o uso como combustível automotivo (GNV), com 9%. Outros 4% são utilizados por cogeração de energia, enquanto o uso residencial (em fogões e para aquecimento de chuveiros, por exemplo) e o feito por estabelecimentos comerciais respondem, cada um, por apenas 1% do consumo total.

Qual a diferença para o gás de cozinha?

O gás natural que chega à residência dos consumidores é o gás encanado. O chamado gás de cozinha, vendido em botijões, é de outro tipo: o gás liquefeito de petróleo (GLP). O primeiro é composto principalmente por metano e etano e é uma substância mais leve que o ar, enquanto o segundo é uma mistura de hidrocarbonetos, entre eles os gases butano e propano, e é mais pesado do que o ar.

Botijão de gás de cozinha — Foto: Ugor Feio/G1
Botijão de gás de cozinha — Foto: Ugor Feio/G1 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que, com a medida, “o país, em cima da energia barata, vai acelerar o crescimento, vai se reindustrializar, e isso vai chegar também no botijão de gás” de cozinha.

No entanto, ainda não está claro como a medida pode baratear o gás de cozinha. Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que o processo de obtenção do gás de cozinha é diferente do gás natural.

Fonte: https://g1.globo.com

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