Lava Jato em São Paulo denuncia ex-secretário de Alckmin por fraude em licitação

Alckmin com Laurence Lourenço em evento em Sato, em abril. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

A denúncia não acerta diretamente o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), mas tem o potencial de constrangê-lo durante o início da caminhada formal em busca do Palácio do Planalto.

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo denunciaram na noite desta sexta-feira pelo crime de organização criminosa 14 acusados de fraudar licitações do trecho norte do Rodoanel — nove deles são acusados também de falsidade ideológica. Além do ex-presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) Laurence Casagrande Lourenço, que acumulou o cargo de secretário de Logística e Transportes do Estado de São Paulo por um ano, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou outras 13 pessoas, entre agentes da empresa pública e funcionários das construtoras responsáveis pelos lotes fraudados: OAS, Mendes Júnior e Isolux.

Essa é a primeira denúncia da Operação Pedra no Caminho, deflagrada no dia 21 de junho. Segundo o MPF, uma organização criminosa operou fraudes no trecho norte do Rodoanel entre outubro de 2014 até a deflagração da operação.

Acréscimos indevidos nos custos das obras teriam levado a um superfaturamento de 480 milhões de Reais nos cálculos dos procuradores, que estipularam esse valor como o mínimo para reparação. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), apenas os aditivos contratuais geraram um prejuízo de R$ 235 milhões aos cofres públicos.

Pré-candidato do PSDB à presidência, Alckmin não está mais ao alcance da Lava Jato em São Paulo, a princípio, mas auxiliares de seu Governo, sim. Em abril, quando o tucano deixou o Palácio dos Bandeirantes, o Superior Tribunal de Justiça decidiu enviar o inquérito que corria na corte sobre Alckmin, citado em delações de Odebrecht, para a Justiça Eleitoral, e não para força-tarefa formada pelos 11 procuradores paulistas. No entanto, as investigações sobre a obra do Rodoanel, citada pelos delatores, seguiram no âmbito da operação.

 

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/27/politica/1532727260_241332.html