Militares deixam RN após ataques; Governo solicita Força Nacional

Tropas federais participaram da Operação Potiguar, na Grande Natal (Foto: Fabiano de Oliveira/ G1)
Tropas federais participaram da Operação Potiguar, na Grande Natal (Foto: Fabiano de Oliveira/ G1)

G1 – Após 21 dias, os 1200 homens das Forças Armadas que integraram a Operação Potiguar começam a deixar o Rio Grande do Norte. A saída dos militares será ainda na manhã desta quarta-feira (24). A ação, que teve por objetivo patrulhar as principais vias da Grande Natal e os pontos turísticos e o aeroporto de Natal, foi iniciada após uma série de ataques criminosos em todo o Rio Grande do Norte.

Para substituir os militares, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, se reuniu na noite desta terça (23), em Brasília, com o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, e solicitou a vinda da Força Nacional para o Estado. “O governador foi pessoalmente entregar os ofícios para que solicitar que homens da Força Nacional venham reforçar a segurança pública do nosso Estado”, confirmou ao G1 a secretária do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha.

Segundo Tatiana, os ofícios não tratam de números. “Não especificamos a quantidade de homens da Força Nacional, mas reforçamos a necessidade da vinda deles”. Segundo o próprio Governo do Estado, a necessidade da reforço se dá para que seja possível continuar o projeto de instalação de bloqueadores de telefone celular nas principais unidades prisionais do RN.

‘Missão cumprida’
Na segunda (22), o comandante da Operação Potiguar, general de Brigada Jayme Otávio Queiroz, disse ao G1 que a ação foi bem sucedida. “A missão dada foi excelentemente cumprida. Chegamos ao Rio Grande do Norte em uma situação de conflito, com ataques criminosos, danos a patrimônio, insegurança. Vamos deixar o Estado com a paz restabelecida, com tudo dentro da normalidade”.

O general Jayme disse que todo o planejado para a ação dos militares foi executado. “Nossa missão é cuidar das principais vias, pontos turíticos, corredores bancários e aeroporto. Segundo dados dos órgãos de segurança, além de termos a paz restabelecida, houve uma reução nos registros de ocorrências policiais nesses pontos. Ou seja, nossa presença inibiu a ação do crime organizado”, falou.

Os militares da Operação Potiguar eram provenientes de batalhões do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira dos Estados de Pernambuco e da Paraíba, além do interior do Rio Grande do Norte.

Para o general Jayme, como a situação de normalidade voltou ao RN, não haveria mais necessidade de ser prorrogada a permanência dos militares nas ruas das cidades da Grande Natal. “Caso os ataques voltem a ser registrados, o governador do Rio Grande do Norte precisaria refazer o pedido à Presidência da República para que as Forças Armas ou até mesmo a Força Nacional auxiliem as polícias locais. As pessoas voltaram a trabalhar, a ir para as escolas, à praia com tranquilidade. A partir de agora, as políciais estaduais têm plenas condições de garantir a segurança da população”.

Ataques
A instalação de bloqueadores de celular na Penitenciária de Parnamirim, feita no dia 28 de julho, é apontada pelo governo do estado como a principal motivação para os ataques. O primeiro aconteceu no dia 29, quando um micro-ônibus foi incendiado em Macaíba, cidade da Grande Natal. Desde então, a Secretaria Estadual de Segurança Pública já contabiliza 118 atos criminosos em 42 cidades potiguares. Ainda segundo a Sesed, 112 pessoas já foram presas suspeitas de envolvimento nos crimes.

Os casos mais recentes atribuídos à facção que reivindica os ataques aconteceram na madrugada do dia 15, quando um caminhão foi incendiado em frente a uma oficina no bairro de Felipe Camarão, e um carro queimado no bairro Bom Pastor, ambos na Zona Oeste de Natal. No mesmo dia, em Venha-Ver, na região do Alto Oeste, um ônibus escolar foi incendiado no conjunto Santo Expedito. O veículo era antigo e havia sido arrematado em um leilão. O dono disse que o objetivo era transformar o ônibus em uma lanchonete no estilo food truck.

Os principais alvos dos criminosos eram ônibus, carros, prédios da administração pública e bases policiais em todo estado. Um dos acessos ao Aeroporto Internacional Aluízio Alves, e até mesmo a vegetação do Morro do Careca – um dos principais cartões-postais do RN – também já sofreram atentados.

Transferências
Apontados como chefes da facção, 21 detentos foram transferidos para as penitenciárias federais de Catanduvas (PR), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO). Outros cinco presos, também apontados como chefes da facção, foram transferidos no início do mês para a Penitenciária Federal de Mossoró.