Petrobras é “a madame mais honesta dos cabarés do Brasil’, diz Machado em delação

Sérgio Machado, que foi presidente da Transpetro por quase dez anos(Transpetro/Divulgação)
Sérgio Machado, que foi presidente da Transpetro por quase dez anos(Transpetro/Divulgação)

O mais longevo presidente da subsidiária de logística da Petrobras, a Transpetro, Sérgio Machado definiu a estatal, em seu acordo de delação premiada, como “a madame mais honesta dos cabarés do Brasil”. Diante dos tantos esquemas de corrupção desvendados pela Operação Lava Jato na Petrobras, poderia se pensar que Machado usou de ironia ao fazer a afirmação. Depois, no entanto, percebe-se que a expressão não tinha nenhum fundo de brincadeira. No depoimento, Machado explica que a Petrobras era, na realidade, uma das empresas mais regulamentadas e disciplinadas do governo. E continua dizendo que há estatais com “práticas menos ortodoxas” do que a petroleira, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), Banco do Nordeste, entre outros.

Conforme já foi dito por outros delatores do petrolão, como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Machado relatou que grande parte das obras públicas feitas no país envolvem pagamento de propina, o que chamou de “custo político de qualquer relação contratual entre empresa privada e poder público”. Como uma justificativa do modus operandi das empresas pública, o delator afirmou que não poderia fugir do “modelo tradicional” no comando da Transpetro. Em sua delação, ele envolveu ao menos 20 políticos de seis partidos em esquemas de propina, incluindo o presidente interino Michel Temer.

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