Potiguares passam 24 horas em fila para tentar atendimento em centro de reabilitação infantil de Natal

Apenas 80 fichas foram distribuídas a pais e mães que buscam tratamentos para crianças no CRI em Natal (Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi)

Pais de crianças que precisam de tratamento no Centro de Reabilitação Infantil (CRI), em Natal, chegaram a passar 24 horas em uma fila para conseguir ficha de atendimento. Ainda assim, muitos dos que dormiram na rua, à espera da distribuição de senhas, voltaram para casa sem conseguir marcar sequer a triagem. O caso aconteceu na manhã desta segunda-feira (20), quando apenas 80 fichas foram distribuídas por volta das 7h. Os primeiros, chegaram ao local na manhã de domingo (19).

O CRI é referência no tratamento de reabilitação infantil. Na manhã desta segunda (20). Lisandra encarou a madrugada em vão. Ela não conseguiu a ficha para tentar um agendamento para a filha de 10 anos de idade. A dona de casa diz que há três anos luta pelo tratamento no CRI e ainda não conseguiu. “A gente se sente humilhada com essa situação”, diz.

Pais trouxeram filhos de vários cantos do estado. Emmily, que tem 11 anos e tem paralisia cerebral e microcefalia, veio com a mãe Valdineide Souza de Apodi, na região Oeste. “Cheguei de duas horas da manhã. Venho de Apodi pra tentar uma avaliação global pra ela, porque na minha cidade não existe neuro pediátrico, não existe a parte da ortopedia e eu preciso do tratamento dela. Esse senhor que chegou mais cedo pegou a ficha, mas não conseguiu tratamento e me deu”, conta a mãe. O problema do doador é que ele veio de Santa Cruz. Segundo a direção do órgão, os pacientes do município deveriam ser atendidos lá mesmo, por contar com um centro com a mesma estrutura.

A dona de casa Kátia Souza, também veio de Apodi e dormiu na rua com o filho de 4 anos. Ela não teve a mesma sorte. Vai voltar para casa sem conseguir atendimento. “A gente não sabe o que ele tem, é por isso que vim, porque lá (na minha cidade) não tem médico”, contou a mulher.

Primeiro da fila, Ronilson chegou com a esposa às 7h do domingo. Deixou ela durante o dia e veio substituí-la à noite no lugar de espera. De manhã, contou que até tiroteio pais e crianças ouviram durante a madrugada. “A gente ficou lá fora até agora de manhã, passou gente de moto atirando, de madrugada, fazendo baderna na rua de trás. A gente fica nessa situação”, conta.

São dramas que se repetem. A dona de casa Juliana Sodré tem dois filhos especiais. O encaminhamento para tratamento das crianças é de outubro de 2017, mas ele sequer conseguiu marcar uma triagem. É humilhante. a gente não merece ficar nessa situação.

O diretor geral do CRI, Italo Targino, distribuiu 80 fichas durante a manhã. Ele considera que a culpa é da falta de estrutura da Saúde no interior. “Nós temos hoje 167 municípios e aqui no centro, 200 profissionais para atender essa demansa. Hoje, temos 18.200 pronturários abertos. A solução é tentar que haja atendimento em rede no interior do estado”, afirma.

De acordo com ele existem outras unidades em cidades no interior do estado, como Guamaré, Santa Cruz, Pau dos Ferros, Macaíba e Areia Branca, além da Clínica Heitor Carrilho e afirmou que as marcações passarão a ser feitas pelas próprias secretarias municipais, para evitar transtornos como a fila formada.

A agricultora Elisângela da Silva desabafou: “Eles me mandaram vir hoje. Pra quê, se sabiam que não tinham ficha pra todo mundo, pra ninguém estar passando por isso. Eu tô me sentindo um lixo”, declarou.

Fonte: https://g1.globo.com

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