Quem tem que provar é o MP e a PF, diz Lula em evento em SP

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de evento no hotel Holiday Inn, na zona norte de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (29) (Foto: Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo)

G1 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (29) que o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal (PF) têm de provar as acusações feitas contra ele. A afirmação foi feita horas depois de o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, aceitar denúncia apresentada pelo Ministério Público e transformar Lula e outras seis pessoas em réus por, segundo a acusação, tentar obstruir a Justiça tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

“Eu não quero falar dos meus problemas pessoais, para não transformá-los em problemas coletivos, mas enquanto estou aqui conversando com vocês fiquei sabendo que foi aceita uma denúncia contra mim de obstrução de Justiça. Vamos ver, eu não conheço”, disse nesta sexta-feira (29), durante discurso no Seminário Nacional do Sistema Financeiro e Sociedade, na Zona Norte de São Paulo. “Eu não ia tocar no assunto, mas eu já cansei. Eu não tenho que provar que eu tenho apartamento. Quem tem que provar é a imprensa que acusou, o Ministério Público que falou que eu tenho, a Policia Federal que diz que eu tenho.”

O ex-presidente acrescentou que “eles é que têm que apresentar documento de compra, pagamento de prestação, algum contrato assinado”. “Porque, se eu não tiver, em algum momento eles é que terão que me dar de presente uma chácara e um apartamento, e aí eu ganharei de graça, quem sabe essas coisas que eles dizem que eu tenho. É por isso que eu não manifesto, porque é eles que tem que provar, não sou eu quem tem que provar.”

Apesar de começar seu discurso citando a denúncia, o ex-presidente comentou em seguida sobre o apartamento em Guarujá e o sítio em Atibaia atribuídos a ele e que são alvos de investigação da PF, mas que não têm relação com a acusação aceita nesta sexta pela Justiça. Lula tornou-se réu, segundo a Procuradoria, por tentativa de obstruir a Justiça ao tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Além do ex-presidente, também viraram réus o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai. Eles são acusados de tentar obstruir a Justiça tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Defesa
É a primeira vez que Lula vira réu na Lava Jato. Por meio de nota, os advogados do ex-presidente da República afirmaram que o petista já esclareceu, em depoimento à Procuradoria Geral da República, que ele “jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato”.

Ainda de acordo com os defensores de Lula, “a acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade, que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar” (leia ao final desta reportagem a íntegra da nota divulgada pela defesa do ex-presidente).

Denúncia
A denúncia acusa os sete de três crimes: embaraço à investigação de organização criminosa que prevê pena de três a oito anos; patrocínio infiel (quando advogado não defende corretamente interesses do cliente – os outros foram considerados coautores), que prevê pena de seis meses a três anos; e exploração de prestígio, que prevê pena de um a cinco anos.