Quinta edição do Parlamento Jovem se destaca pela bancada feminina

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A posse do novo Parlamento Jovem, na Assembleia Legislativa, que está na sua quinta edição, trouxe à tona, pelo menos nas escolas potiguares, o interesse das mulheres pela política.

Da bancada de 24 deputados, 9 são mulheres, superando a 61­a legislatura, que dos 24 parlamentares, somente constam duas mulheres.

Cíntia Aparecida, Débora Amanda, Érica Taís, Luana Ribeiro, Maria Auxiliadora, Fátima de Melo, Michelle Marilane, Raíssa Alves e Wanessa de Paula representam suas escolas, pelas quais foram eleitas, para, durante um ano, reivindicarem melhorias.

Wanessa tem 18 anos e foi eleita como aluna da Escola Estadual Zila Mamede, no Pajuçara, em Natal. De seu mandato iniciado na véspera do Dia da Mulher, a estudante, aprovada no ENEM para o curso de Pedagogia, espera absorver conhecimentos do legislativo. “A sociedade julga muito, mas a maioria é leiga”, afirma a nova deputada.

Fátima de Melo deixou o município de Georgino Avelino para tomar posse como deputada e levou com ela, para a Assembleia Legislativa, uma torcida.
Aluna da Escola Estadual José Alves Accioly, Fátima passou por um processo seletivo que incluía 10 estudantes, indo para a final com outra mulher. A disputa foi acirrada e entre as duas, a deputada eleita obteve 25 votos contra 22 da adversária.

Fátima de Melo espera ter condição de obter melhorias para sua escola. “No esporte, porque os jovens precisam ocupar mais seu tempo”, justifica a deputada jovem, que enxerga o Brasil como “muito burocrático e muito confuso”.

Aos 16 anos, e cursando o segundo ano do ensino médio, ela é a única mulher entre os 3 irmãos da casa, e quando concluir os estudos pretende ser enfermeira.

Melhoria para sua escola também é a missão da deputada Michelle Marilane, que representa a Escola Estadual Stoessel de Brito, no município de Maxaranguape, de onde saiu para tomar posse na Assembleia Legislativa na companhia da prefeita Neidinha (PMDB).

Aos 17 anos e sonhando com a profissão de engenheira civil, Michelle quer melhorar o quadro de professores da escola e até a direção.

Prestes a ganhar o terceiro irmão, único homem, Michelle define a política no Brasil hoje como em “decadência total”, e afirma que, mesmo assumindo o mandato precoce de deputada, ela disse não sentir vontade de seguir a carreira.

A música corre nas veias da deputada Érica Taís, aluna do segundo ano da Escola Estadual Walter Duarte Pereira, no bairro Potengi, em Natal.

Estilosa, com os cabelos vermelhos, a deputada jovem de 17 anos vai conciliar esse ano, os estudos e o mandato de deputada, a um estágio em uma empresa de crédito consignado, sem deixar de lado a guitarra e o violão, que já lhe fizeram parte integrante de uma banda na escola. Quando concluir o ensino médio, no próximo ano, é a Música que ela irá buscar na universidade.

Érica vai aproveitar o mandato legislativo para lutar pelo fim da homofobia e do bullying nas escolas. “O índice é muito alto”, afirma a deputada, que vive em uma família de cinco irmãos.

Autora do projeto que criou o Parlamento Jovem em 2011, a deputada Márcia Maia enalteceu a grande participação feminina na quinta edição do projeto, lembrando que a participação é espontânea nas escolas. “É um bom sinal ver que a participação da mulher tem crescido nessa quinta edição, e bom seria que esse interesse também nos partidos políticos”, sugeriu Márcia.

História
O direito ao voto feminino começou pelo Rio Grande do Norte em 1927, quando o Estado se tornou o primeiro do país a permitir que as mulheres votassem nas eleições.

Naquele mesmo ano, a professora Celina Guimarães, de Mossoró, se tornou a primeira brasileira a fazer o alistamento eleitoral.

Em 1928, Alzira Soriano, aos 32 anos, foi eleita, no município potiguar de Lajes, a primeira prefeita do Brasil.